Evangelizar – Uma Ordem do Amor de Jesus

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Last edited by Silvio Dutra
September 2, 2016 | History

Evangelizar – Uma Ordem do Amor de Jesus

Se um morreu por todos, e para que tenham vida aqueles que forem pela verdade, entre estes que estão mortos, e como este milagre de vivificação deve ser feito através da pregação do evangelho, então é dever de todos os que foram assim vivificados, não viverem mais para si mesmos, senão para o Senhor Jesus que deu sua vida por eles em Sua morte de cruz.
E este modo de viver para Ele implica em que se apliquem a resgatarem pelo Evangelho, outros que se encontram ainda mortos em delitos e pecados, tanto quanto eles haviam estado no passado.
É principalmente para este propósito de resgatar almas das garras da morte espiritual que ainda permanecem neste mundo dando testemunho da vida que há em Cristo.
Por isso o apóstolo disse: “Ai de mim se não pregar o Evangelho.”
E juntamente com ele dizemos: “Ai de nós se não o pregarmos.”
Este é o maior dever que pesa sobre nós enquanto estivermos neste mundo, porque Deus o amou de tal maneira que deu o Seu Filho Unigênito para que aqueles que nele creem não pereçam, mas tenham a vida eterna.

Publish Date
Publisher
Silvio Dutra
Language
Portuguese
Pages
61

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Book Details


Table of Contents

Evangelizar – Uma Ordem do Amor de Jesus
Silvio Dutra
JAN/2016
A474
Alves, Silvio Dutra
Evangelizar: Uma ordem do amor de Jesus./
Silvio Dutra Alves. – Rio de Janeiro, 2016.
61p.; 14,8x21cm
1. Missões. 2. Pregação. 3. Evangelho.
I. Título.
CDD 266
Sumário
Não Devo Represar a Fonte 4
Ai de Nós se Não Pregarmos o Evangelho 7
“Nós vivemos para o Senhor." (Romanos 14.8) 9
A Pregação da Fé 12
A Pregação da Cruz 21
O Atalaia 26
Ministração Carnal e Ministração Espiritual 32
Está Faltando o Ingrediente do Evangelho na Salada Mista da Mensagem Atual 36
O Poder transformador da pregação dos Puritanos 40
Não Devo Represar a Fonte
“Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo, no Espírito Santo, a minha própria consciência: tenho grande tristeza e incessante dor no coração; porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne.” (Romanos 9.1-3)
Ah minha alma!
Quão profundo e misterioso é este sentimento expressado pelo apóstolo!
Acaso não sentes o mesmo, especialmente em relação àqueles, que de Deus são tementes, assim como eram os judeus a quem ele havia se referido?
Há no coração de Deus um amor imenso, que sequer pode ser medido, porque é amor infinito.
Todavia, este amor padece, sofre, morre, onde reina o pecado.
Quando digo pecado, não me refiro, necessariamente, a erros grosseiros, a torpezas inomináveis, mas ao simples estado em que se encontram naturalmente, todos os seres humanos.
Mas quão difícil é enxergar e aceitar isto, que estamos sem a cobertura da justiça de Cristo, completamente perdidos.
Complica-se mais ainda o quadro, porque a natureza terrena humana é muito sensível e se melindra facilmente com palavras, que possam ser mal interpretadas.
Então a nossa alma dói de tristeza, por esta nossa quase completa insuficiência, para revelar este amor divino aos outros, para que a Ele sejam atraídos.
Querendo ajudar, quantas vezes atrapalhamos o divino plano.
Falamos a verdade, mas sem sabedoria, não tendo a palavra bem temperada, para que seja apetecível ao paladar humano.
Aí bradamos um cântico dorido juntamente com Paulo: “Ah, quisera ser de Deus maldito, se isto resultasse em salvação ao mundo.”
Todavia não há nisto qualquer proveito e sentido, porque Alguém já se fez maldito por nós, carregando os nossos pecados na cruz do Calvário.
Na verdade, era o Único que poderia fazê-lo, para que tal Sacrifico fosse por Deus Pai aceito.
Corramos então todos juntos à Fonte, que foi aberta, para termos os nossos pecados lavados pelo precioso Sangue, que por amor foi derramado.
Ai de Nós se Não Pregarmos o Evangelho
“E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.” (II Cor 5.15)
Se um morreu por todos, e para que tenham vida aqueles que forem pela verdade, entre estes que estão mortos, e como este milagre de vivificação deve ser feito através da pregação do evangelho, então é dever de todos os que foram assim vivificados, não viverem mais para si mesmos, senão para o Senhor Jesus que deu sua vida por eles em Sua morte de cruz.
E este modo de viver para Ele implica em que se apliquem a resgatarem pelo Evangelho, outros que se encontram ainda mortos em delitos e pecados, tanto quanto eles haviam estado no passado.
É principalmente para este propósito de resgatar almas das garras da morte espiritual que ainda permanecem neste mundo dando testemunho da vida que há em Cristo.
Por isso o apóstolo disse: “Ai de mim se não pregar o Evangelho.”
E juntamente com ele dizemos: “Ai de nós se não o pregarmos.”
Este é o maior dever que pesa sobre nós enquanto estivermos neste mundo, porque Deus o amou de tal maneira que deu o Seu Filho Unigênito para que aqueles que nele creem não pereçam, mas tenham a vida eterna.
Se não proclamamos o Evangelho, se nada fazemos neste sentido, somos infiéis diante do Senhor, pelo descumprimento do grande dever que Ele incumbiu a todos os que nele têm crido.
“Nós vivemos para o Senhor." (Romanos 14.8)
Se Deus quisesse, cada um de nós poderia ter entrado no céu no momento da conversão.
Não era absolutamente necessário para a nossa preparação para a imortalidade que devêssemos permanecer aqui.
É possível que um homem seja levado para o céu, e seja feito participante da herança dos santos na luz, por apenas crer em Jesus.
É verdade que a nossa santificação é um processo longo e contínuo, e não será completado até que deixemos os nossos corpos e entremos no interior do véu, mas, no entanto, se o Senhor assim o quisesse, ele poderia ter nos mudado da imperfeição para a perfeição e nos ter conduzido ao céu ao mesmo tempo.
Por que, então estamos aqui? Desejaria Deus manter seus filhos fora do paraíso um único momento a mais do que o necessário? Por que o exército do Deus vivo ainda se encontra no campo de batalha, quando poderia lhe dar a vitória de modo definitivo?
Por que seus filhos ainda vagueiam aqui e ali através de um labirinto, quando uma única palavra de seus lábios iria trazê-los para o centro de suas esperanças no céu?
A resposta é, eles estão aqui para que possam "viver para o Senhor ", e poderem levar outros a conhecerem o seu amor.
Continuamos na terra como semeadores para espalhar a boa semente, como lavradores para quebrar o solo em pousio, assim como para proclamar a salvação.
Estamos aqui como o "sal da terra", para ser uma bênção para o mundo. Estamos aqui para glorificar a Cristo em nossa vida diária. Estamos aqui como trabalhadores para ele, e como "seus cooperadores, juntamente com ele."
Que nossas vidas respondam a este propósito. Vivamos vidas santas, úteis, sinceras, para "o louvor da glória de sua graça."
Nota do tradutor: O ladrão na cruz e muitos outros em leitos de enfermidade terminal e em variadas condições são conduzidos ao céu no momento mesmo da sua conversão. Mas importa, além de todos os argumentos apresentados por Spurgeon, que nós e os próprios anjos eleitos aprendamos sobre o modo como Deus usa de misericórdia para com os pecadores e como os transforma à Sua própria imagem e semelhança, sobretudo em santidade e amor, revelando assim a nossa completa dependência da graça e da obra de Jesus Cristo para o nosso benefício. E isto não poderia ser feito, se a grande maioria dos salvos não permanecesse aqui neste mundo vivendo para o Senhor, para dar testemunho da Sua via e obra.
Texto de Charles Haddon Spurgeon, traduzido e adaptado pelo Pr Silvio Dutra.
A Pregação da Fé
Partes de um sermão de Charles Haddon Spurgeon, traduzidas e adaptadas pelo Pr Silvio Dutra.
"Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei, ou pela pregação da fé?" (Gálatas 3.2)
Uma grande ilusão repousa sobre o coração do homem assim como a sua salvação. Seus caminhos são perversos. Ele não ama a lei de Deus, não, sua mente se opõe a ela e ele ainda se apresenta como seu defensor. Quando ele entende a espiritualidade e a severidade da Lei, ele acha que seja um fardo doloroso e ainda, quando o evangelho é pregado e estabelecido como o dom da graça soberana e ele lhe é oferecido, para simplesmente aceitá-lo por um ato de fé em Cristo Jesus, o homem professa grande preocupação com a Lei, a fim de que ela não seja anulada pela gratuidade da Graça! Ele toma as duas tábuas da Lei e as lança na cruz! Não é que o homem ame a lei de Deus, mas que ele não ama o Deus da Lei! Por isso, ele vai recorrer a qualquer pretensão de se opor a essa forma de salvação que Deus designou para ser somente por graça e mediante a fé.
Sem dúvida, se fosse possível, que o Senhor estabelecesse um outro caminho para a salvação, o homem teria se oposto a isso, também, pois ele está determinado a andar contrariamente a Deus. Seja como for, há uma animosidade constante nas mentes dos homens não regenerados contra o caminho da salvação pela fé em Cristo - e para se oporem a ele, eles montaram o pretexto da salvação pelas obras da lei. Irmãos e Irmãs, em todos os nossos corações há esta inimizade natural para com Deus e para com a soberania da Sua graça. Por isso é que os crentes têm muitas vezes se queixado das dificuldades da fé. A fé em si é, ou deveria ser, a coisa mais fácil do mundo, para uma criatura crer em seu Criador, porque para uma criança acreditar em seu pai, deveria ser a coisa mais simples e mais natural do mundo! Mas por causa da corrupção que permanece, mesmo, no regenerado, há sempre uma luta contra esta forma simples de fé.
Há momentos em que o melhor homem, quando reflete sobre os seus muitos pecados, a Consciência diz: "Como você pode acreditar que você está justificado e aceito por Deus enquanto tanto mal é encontrado em você?" A menos que nos apeguemos à promessa de Deus e à livre misericórdia em Cristo Jesus, isto irá então, se tornar duro para nós. A alma do homem mais sincero e reto pode ser levada ao desespero por uma visão de suas próprias imperfeições, a menos que ele se apegue a essa justiça pela qual os pecadores são justificados pela fé em Cristo Jesus. Amados, se esta guerra é descoberta, até mesmo, nas mentes daqueles que são nascidos de novo, não devemos admirar que ela grasse no não regenerado!
Alguém poderia ter pensado que no momento em que pregamos a salvação pela fé cada pecador teria saltado e se convertido. Isto é tão simples, tão fácil, que certamente todo homem gostaria que, desta forma, fosse perdoado e justificado! Em vez disso, todo o raciocínio, toda a atenção, sim, toda a astúcia da natureza humana não regenerada são agitados para lutar contra o método de libertação pela fé em Cristo Jesus. "É bom demais para ser verdade", diz um deles. Outros clamam: "Se isto for pregado, levará os homens a pensarem pouco sobre a excelência moral." Um terceiro encontra, nas Doutrinas da Graça, incentivos à inércia e assim por diante.
Parece que Deus não sabe a melhor maneira de salvar os homens e os homens são tão sábios que alteram Seus métodos! Isso não é uma refinada blasfêmia? É uma farsa hedionda ver um pecador rebelde de repente se tornar zeloso sobre boas obras e muito preocupado com a moralidade pública! A razão disso reside no fato de que o homem não é só pobre, mas orgulhoso. Ele não é somente culpado, mas vaidoso, de modo que ele não vai se humilhar para ser salvo em termos da graça Divina. Ele não vai consentir crer em Deus, ele prefere acreditar nas mentiras orgulhosas de seu próprio coração, que o iludem numa esperança lisonjeira para que ele possa merecer a vida eterna!
Contra esse espírito perverso nosso texto entra em luta. Vamos ver como ele conduz o combate. O argumento do texto é muito simples e poderoso. Paulo coloca, assim, "O Espírito Santo foi recebido por vocês Gálatas. Como vocês receberam o Espírito Santo, por obras da lei ou pela pregação da fé?" Eles foram obrigados a admitir, cada um para si mesmo, que eles receberam o Espírito Santo pela fé e por nenhum outro meio!
Agora, o Espírito Santo é o mais escolhido de todos os dons de Deus, que são recebidos na alma, é pelo Espírito que a obra do Senhor Jesus é conhecida e recebida! O Espírito Santo é, ele mesmo, o selo do favor divino e o sinal de que estamos em paz com Deus. Eu poderia até dizer que a recepção do Espírito Santo é a salvação, pois é quando Ele entra em nós, que somos salvos da morte no pecado, do amor ao pecado, do poder do pecado e do terror do pecado!
Quando Ele reina no coração, Ele se torna a fonte de vida, luz, amor e liberdade para nossas almas e Ele mesmo santifica nossos corpos. Não sabeis que os vossos corpos são templos de Deus, quando o Espírito Santo vem habitar neles? Para quem, então, o Espírito Santo é dado, a quem a salvação é dada no sentido mais elevado? Como é que o Espírito Santo é recebido? A pergunta é logo respondida. Ele não é recebido pelas obras da Lei, mas pela pregação da fé.
Vocês, queridos amigos, se estão, de fato, em Jesus Cristo, receberam o Espírito Santo! Mas como? Vamos passar por cima da lista de suas operações em suas mentes. Você recebeu iluminação por Seu intermédio, por que você foi levado a entender o caminho da salvação e a contemplar a glória de Deus, na face de Jesus Cristo. Será que você alcançaria esta iluminação pelas obras da lei? Foi assim em qualquer caso? Tem sido meu privilégio conhecer muitos de vocês e lembrar de suas confissões de fé - você me disse que quando estava buscando a salvação por suas próprias obras que estava cego e não viu a Luz de Deus. Quanto mais você se esforçou e quanto mais você se esforçou, mais intensa a meia-noite cresceu com você até que você chegou ao ponto de ficar desesperado!
A Luz vem por um olhar para o Crucificado! Ela veio somente pela pregação da fé! Depois disso, você recebeu a paz, aquela paz, que eu confio, você desfruta agora. "A paz de Deus, que excede todo o entendimento." Mas você recebeu a paz, enquanto você estava confiando em cerimônias, no batismo, ou da Ceia do Senhor, ou em suas próprias obras? Eu sei que não, pois a verdadeira paz de consciência não chega por essa porta! Será que você obteve a paz, enquanto você tentava se arrepender muito, chorar muito, sentir muito, ou trabalhar muito? Não, irmãos e irmãs, e nem um átomo de paz jamais chegou ao seu espírito até que você contemplou o Senhor Jesus, de quem ouviu que Ele era capaz de salvar até mesmo o principal dos pecadores e em quem, por isso, pela graça de Deus, você agora crê! Quando veio a fé, a paz cresceu a partir dela como um fruto do Espírito Santo.
Desde então, você tem recebido o Espírito Santo para ajudá-lo em sua santificação. Se você procurar a santificação por seus próprios esforços, feitos na incredulidade, jamais a conseguirá. A incredulidade trabalha no sentido do pecado e nunca para a santificação! Nossas boas obras são frutos de santificação, não a causa dela, e se colocamos o fruto onde a raiz deve estar, erraremos grandemente. Se você tem ido lutar contra a tentação na sua própria força, você já retornou um vencedor? Está escrito sobre os crentes, "Eles venceram pelo sangue do Cordeiro", e isto é verdade para você, também. A Santificação não vem até nós por nossa autosuficiência, mas como uma obra do Espírito Santo, recebida pela fé em Cristo. Creia nEle pois tem “sido feito para nós, sabedoria, justiça, santificação e redenção".
Você teve, além disso, querido amigo, outro dom do Espírito Santo, ou seja, o de comunhão com Deus. Mas você já teve comunhão com o Deus santo com base na sua própria bondade? Nunca!
Queridos amigos, não há comunhão com Deus exceto pela fé, sem a qual não podemos nunca agradar a Deus. Os favoritos do Céu são, em todos os casos, os homens que acreditam em Deus! A fé tem a chave de ouro dos palácios de marfim. A fé abre as câmaras secretas de comunhão com aqueles que a amam. As obras da lei não trazem proximidade a Deus, em sinal do que, ninguém poderia chegar perto do Sinai, e nem um animal poderia tocar o monte, pois seria apedrejado.
E vocês, queridos amigos, receberam o Espírito Santo, muitas vezes, como seu ajudante na oração "O Espírito ajuda a nossa fraqueza." E eu tenho certeza que ele nunca fez isto pelas obras da lei. Quando a enfermidade parou suas orações e você não podia clamar como faria, então você não tinha espaço para se vangloriar de boas obras e ainda então o Espírito tem "intercedido por você com gemidos inexprimíveis." Sua enfermidade fez você perceber que foi por graça e pela graça, sozinha, que foi ajudado na sua hora de necessidade.
Mantenha a sua fé em Cristo! Não pense que a grandeza de seu pecado excede o Seu mérito expiatório!
Trabalhos realizados para Deus pelos esforços de nossa própria força são coisas ruins, mas o trabalho da Graça de Deus em nosso espírito é precioso.
A salvação é do Senhor, sozinho, do início ao fim!
Então, se você se encontrar com um grande santo, diga para si mesmo: "Meu honrado irmão vai chegar ao céu através de Jesus Cristo. E eu, um pobre bebê na graça, devo chegar ao céu da mesma maneira."
A "pregação da fé", este é o caminho pelo qual o Espírito de Deus vem aos homens; pois, "a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus."
Essa última frase me faz lembrar que a audiência deve ser a audição do Evangelho. Eu gostaria que as pessoas fossem mais cuidadosas sobre esse ponto. Você não vai receber o Espírito Santo por apenas ouvir um homem falar. Ele pode ser eloquente, ele pode ser inteligente e ele pode ser piedoso, mas marque isto: o Evangelho, a fé salvadora não pode vir por ouvir o homem! Muitas pessoas vão para aquele lugar de culto que está mais próximo de suas casas e não importa o que se prega, desde que haja um culto atraente.
A fé que salva só vem por se ouvir o testemunho do Espírito sobre o Salvador!
A Pregação da Cruz
A pregação da cruz põe por terra toda a soberba dos homens em se jactarem em sua própria sabedoria terrena, e nas coisas deste mundo.
Evangelho não é filosofia, nem psicologia, ou sociologia.
Evangelho é a palavra da cruz, que é motivo de escândalo para os judeus, e de loucura para os gentios, mas é, no entanto, a sabedoria de Deus, porque foi pela pregação do evangelho da cruz, que Deus determinou salvar os que creem.
Não há vida eterna em nenhuma outra semente que seja deste mundo (filosofia, ciências aplicadas etc), senão na única semente que é do céu, a saber, o evangelho da cruz.
Se o homem rejeitá-lo por causa da sua própria sabedoria, que o leve a recusar esta verdade, ele será aniquilado juntamente com a sua sabedoria mundana, porque não há outro modo pelo qual os homens possam ser salvos de suas transgressões, e da condição caída de suas almas, por causa do pecado original.
A chamada do evangelho é para os que se humilham, para os pobres de espírito, para os mansos, para os contritos e quebrantados de coração, para os que têm fome e sede de justiça, para os pacificadores, para os que choram por causa do pecado, e é notório que o mundo não valoriza nenhuma destas virtudes.
Deus não opera por outro caminho, senão exclusivamente pelo único que Ele determinou em Sua soberania; que é o de salvar pela pregação do evangelho, à qual o mundo considera loucura.
Toda a filosofia e pregação do mundo pagão não poderia produzir a conversão e edificação de uma só alma na verdade divina, porque isto somente é possível na própria luz do evangelho, que prevalece sobre o mundo pela autoridade de Cristo, em demonstrações do Espírito e de poder, sem que haja qualquer ajuda humana para que Deus possa fazer o Seu trabalho no interior dos corações.
Há uma tendenciosa prática cultural chamada “evangélica” em nossos dias, que nada tem a ver com o verdadeiro evangelho.
Conquista de fama, bens matérias, status, poder e tudo o mais que o mundo busca, relativamente à criatura, à criação, e não a consagração da vida ao Criador, ao Senhor, e à Sua vontade soberana, para as nossas vidas, que é a santificação.
Assim, as bocas falam e os teclados escrevem não aquilo que procede do coração de Deus, mas do próprio coração humano, não regenerado ou não santificado.
Os homens podem considerar uma tolice, um absurdo, um escândalo, a ideia de que Deus tenha encarnado num corpo humano e morrido numa cruz para carregar os nossos pecados sobre Si, na pessoa de Seu Filho, mas esta é a pura verdade que se comprova na transformação das vidas daqueles que creem na mensagem da cruz.
Os que estão buscando glória terrena e o louvor dos homens, certamente desprezarão a cruz, porque ela é uma convocação à humilhação e mortificação do nosso ego, e o instrumento que nos leva a nos submetermos à vontade Deus, em obediência voluntária e amorosa de coração.
O próprio Cristo em nós é o poder e a sabedoria de Deus, de forma que, se tivermos algum poder ou sabedoria relativa às coisas celestiais e divinas, isto não provém propriamente de nós mesmos, mas o temos recebido do alto pelo Espírito, por causa da nossa comunhão com Cristo.
Daí Paulo ter dito que foi o próprio Jesus que foi feito para os cristãos, da parte de Deus, a sua sabedoria, justiça, santificação e redenção (I Cor 1.30), de modo que nenhum cristão se glorie em si mesmo, senão unicamente no Senhor, ao verem existirem e operarem neles todas estas virtudes, porque tudo lhes é concedido pela exclusiva graça e misericórdia de Cristo.
Cuidado portanto com os pastores que se proclamam poderosos, sábios, justos, santificados, abençoados, gloriando-se em si mesmos, e não no poder do Senhor, para que vidas sejam salvas e abençoadas.
Muito mais do que ter cuidado, devemos nos desviar daqueles que se gloriam na sabedoria deste mundo (I Cor 1.19; Is 29.14), porque Deus prometeu aniquilar tal sabedoria, e todos aqueles que se gloriam nela, serão juntamente aniquilados no porvir, por terem confiado nela, e não na verdadeira sabedoria de Deus para o mundo que é Cristo crucificado, para nos remir dos nossos pecados.
O evangelho da cruz é portanto, o instrumento de aniquilação de toda a sabedoria mundana, que seja especulativa quanto à salvação. Porque a simplicidade do evangelho e a humilhação que ele requer são rejeitadas pelos sábios segundo o mundo.
Eles pensam que é preciso algo mais elaborado, mais sofisticado, mais profundo (segundo os homens) para a salvação.
Não nos deixemos iludir pela aparência do que seja grande e sofisticado aos olhos dos homens, ao contrário, estejamos sempre vigilantes e desconfiemos de tudo aquilo que não se conforme à simplicidade do evangelho da cruz, de forma que nós mesmos não sejamos separados da simplicidade e da pureza que há em Cristo, pela corrupção de nossas mentes, que em vez de serem renovadas pela verdade, serão desviadas da mesma, por darmos crédito àquilo que é fruto da própria imaginação humana (II Cor 11.3).
O Atalaia
Se o atalaia de Deus não pregar o evangelho e não der o sonido certo da trombeta para alertar os pecadores do juízo que lhes aguarda e caso não se convertam dos seus pecados para Deus, ele será considerado responsável pelo sangue dos que perecerem pela falta do atalaia no cumprimento do seu ministério.
Ainda que tais pessoas que se perdem não estivessem marcadas para a vida eterna, o atalaia será considerado culpado da perda delas caso pereçam sem terem ouvido a verdade que cabia a ele lhes anunciar. Certamente com isto, Deus quis deixar garantida a necessidade de esforço para a pregação do evangelho, porque é por meio disto que os eleitos são salvos. Se não houvesse este peso de responsabilidade de responder até mesmo pelas vidas daqueles que se perderiam ainda que debaixo da pregação, é possível que muitos cristãos se acomodassem na sua obrigação de pregar o evangelho a todos. Assim Deus lhes impôs este peso de responsabilidade, na consideração da culpa deles de se omitirem deste dever, de maneira, que tenham temor e se apliquem a cumprir a sua missão de atalaia no mundo.
Em Atos 20.26,27 nós lemos:
“26 Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos. 27 Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus.”
Crisóstomo disse que somente alguém como Paulo poderia fazer uma declaração como esta, e daí nós percebemos o peso da grande responsabilidade que está sobre os ombros dos servos de Deus em anunciar a verdade do evangelho a todos os homens.
O sangue tipifica a vida nas Escrituras, e o fato de ser culpado do sangue seria então um modo de se referir à culpa pela perda da vida de alguém. A expressão em sentido evangélico aponta para o fato de se omitir no dever de dar testemunho do evangelho, condição esta que será considerada por Deus como sujeita ao Seu juízo quanto a ser atalaia infiel julgado como culpado por aqueles que se perdem sem que tivessem sido avisados por ele da necessidade de conversão para ser livrado da condenação eterna.
Paulo disse que não veria mais os efésios porque havia cumprido totalmente o trabalho de pregar o evangelho a eles, indo de casa em casa anunciando a Cristo, e que agora, ele sabia, pelo Espírito que deveria cumprir o mesmo dever em outras localidades porque já havia cumprido a sua missão em Éfeso, e nada mais tinha que fazer junto a eles, pessoalmente.
Nós devemos pensar frequentemente nisto, que aqueles que agora estão pregando para nós o reino de Deus serão removidos brevemente e nós não veremos nunca mais as faces deles. Os profetas vivem para sempre? Ainda que por breve tempo a luz deles esteja conosco; nós devemos nos empenhar para melhorar aquilo que nós já possuímos e as graças e os dons espirituais que eles compartilharam conosco, de maneira que embora não os vejamos mais aqui na terra, nós podemos esperar contemplar as faces deles com conforto naquele grande dia em que todos estaremos reunidos com o Senhor na glória.
Que todo cristão portanto, e especialmente os ministros do evangelho sigam o exemplo de Paulo quanto a não serem achados culpados diante de Deus pela ruína de qualquer alma preciosa, de maneira que sejam achados limpos do sangue de todos os homens, ou seja, da vida das almas.
Este dever de dar testemunho da verdade foi imposto por Deus a todos os seus servos desde o princípio do mundo, conforme podemos ver nas palavras de Ezequiel 33.6:
“Mas, se quando o atalaia vir que vem a espada, e não tocar a trombeta, e não for avisado o povo, e a espada vier, e levar uma vida dentre eles, este tal foi levado na sua iniquidade, porém o seu sangue requererei da mão do atalaia.” (Ez 33.6).
O atalaia fiel poderá dizer aos que se perderam debaixo do seu testemunho: “você se recusou a se converter, mas eu dei o aviso, de maneira que o sangue de qualquer homem não pode ser posto na minha conta.”.
Um ministro fiel do evangelho deve portanto se aplicar à pregação e ensino da genuína Palavra de Deus, de forma que esteja puro do sangue de todos os homens, por ter dado testemunho da verdade. Ele sabe que lhe está imposto o dever de pregar o evangelho, e sabe que o sangue daqueles que perecem cai sobre as próprias cabeças deles porque apesar de terem sido advertidos eles não lhe deram ouvidos.
Foi exatamente isto o que se deu com Paulo quando pregou aos judeus de Corinto que haviam rejeitado o evangelho. Ele lhes disse:
“ Mas, resistindo e blasfemando eles, sacudiu as vestes, e disse-lhes: O vosso sangue seja sobre a vossa cabeça; eu estou limpo, e desde agora parto para os gentios.” (At 18.6).
Paulo declarou a eles ter cumprido o seu dever para com eles e que os deixaria perecer na incredulidade deles. Paulo tinha sido impulsionado em seu espírito a pregar Cristo a eles (v.5), mas eles não somente O rejeitaram como também blasfemaram (v.6), motivo pelo qual Paulo lhes disse que se voltaria para os gentios.
Paulo tinha feito a sua parte e estava limpo do sangue das almas deles, porque tinha, como um atalaia fiel, advertido a todos eles, e assim, livrou a sua própria alma de qualquer juízo de Deus.
Os judeus não podem reclamar porque a oferta da graça do evangelho foi feita primeiramente a eles. E de igual modo não podem reclamar todos aqueles que tanto entre judeus e gentios, ainda hoje recusam aceitar a salvação que está sendo pregada pelos atalaias fiéis do Senhor. Não importa quantos sejam os recusadores, porque estamos avisados que os últimos dias seriam como os dias de Noé, em que as pessoas se recusavam a dar ouvidos à verdade e se arrependerem de seus pecados, mas Noé cumpriu fielmente o seu ministério de pregoeiro da justiça, mesmo em face do endurecimento de toda aquela geração que pereceu no dilúvio. Cumpramos portanto fielmente o nosso dever de atalaias de Deus e estaremos com isto livrando a nós mesmos de sermos achados culpados diante de Deus pelos que se perderam sem que ouvissem dos nossos lábios o testemunho da verdade.
Ministração Carnal e Ministração Espiritual
A verdadeira conversão que traz salvação é aquela que é do coração, que transforma o coração de pedra em coração de carne.
A mensagem do evangelho tem por objetivo central esta transformação citada.
Desta forma devemos nos acautelar daqueles que pregam um "evangelho" para satisfazer o ego e os desejos do velho homem, que barateia a graça de Cristo e esconde a ofensa e o trabalho da cruz.
A essência da verdadeira vida espiritual consiste em servir a Deus em espírito, porque é possível somente se comunicar com Deus em espírito, e não pela confiança na carne.
Assim, nenhum culto que comece na carne e termine na carne pode agradar a Deus, por mais religioso e reverente que seja, porque o que é nascido da carne é carne. A carne (velha natureza) só pode gerar o que é carnal, e não espiritual.
Deus é espírito e importa sempre que seja adorado em espírito e na verdade da Sua Palavra revelada na Bíblia.
Este culto em espírito leva o cristão a se gloriar em Cristo Jesus, porque fora de Cristo e do trabalho da cruz, não pode existir verdadeira comunhão com Deus, porque somente Jesus é o caminho, a verdade e a vida. Sem Ele ninguém pode ir ao Pai.
Esta comunhão, em espírito com Deus, é promovida pelo que Cristo fez e faz por nós, e por permanecer em nós. Sem a Sua presença nada podemos fazer quanto a servir e agradar a Deus.
Paulo foi um excelente fariseu. Ele era israelita da tribo de Benjamim, e também circuncidado no prepúcio. Ele era irrepreensível segundo a lei, no entanto chegou até mesmo a ser perseguidor da Igreja, porque lhe faltava este conhecimento pessoal e íntimo de Jesus, como afirma em Fp 3.4-6.
Paulo poderia se gloriar no que fez, mas seria uma glória vã, porque seria uma glória no que fizera na carne, e não pelo espírito.
Quando conheceu a Jesus e se converteu de fato, passou a considerar como perda todas estas coisas que lhe pareceriam ser lucro, de maneira que abriu mão de tudo o que havia recebido por tradição religiosa para guardar, para que pudesse ganhar mais de Cristo.
E não somente estas coisas religiosas, mas tudo o que possa ser considerado excelente neste mundo, passou também a considerar como perda para alcançar a excelência do conhecimento de Jesus.
O que o mundo considera elevado, Paulo considerava como um refugo, como esterco, para que pudesse ganhar mais a Cristo. Ele estava desembaraçado de tudo e de todos, para poder servir livre e totalmente ao Seu Senhor.
Vemos assim que o exercício do ministério deve estar centrado em Cristo, porque é possível fazermos muitas coisas com a intenção de servir a Deus, e que não passem na verdade de meras expressões do exercício da nossa própria imaginação e vontade.
Mas onde houver a verdadeira graça atuando, ela nos conduzirá a um desejo de ter uma maior graça. Esta graça não vem de nós mesmos, mas de Jesus Cristo.
Os inimigos da cruz de Cristo negam a necessidade de todas estas coisas; inclusive aqueles que se entregam a um tipo de religião de base emocional, e que até choram para impressionar seus ouvintes.
Por maior aparência que haja de piedade na devoção deles, ela é falsa, porque não coopera para uma genuína conversão e santificação daqueles aos quais ministram na carne - coisas que não são espirituais, as quais podem ser discernidas somente espiritualmente, por aqueles que andam no Espírito Santo.
Como cuidam somente das coisas terrenas, e dos seus interesses carnais, não há verdadeira prática espiritual em sua religião, por maior que possa ser a aparência de piedade que tentem transmitir para conquistar os corações dos incautos.
Não é incomum portanto que se veja o verdadeiro evangelho da cruz sendo substituído por mensagens de mero caráter moral, social, psicológico, etc, que nada tem a ver com o que é relativo ao espírito, porque a boca fala daquilo que o coração está cheio - se da Palavra de Deus ou dos ensinos de homens e de demônios que não se baseiam no que é espiritual, celestial e divino.
Está Faltando o Ingrediente do Evangelho na Salada Mista da Mensagem Atual
“Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.” (João 1.17)
Jesus veio a este mundo trazer e revelar a graça e a verdade para que por ambas nossas vidas sejam transformadas à Sua própria imagem e semelhança.
O caráter e todas as características que compunham a graça e a verdade que nEle se encontram, foram profetizados nas Escrituras do Velho Testamento, e manifestados no Novo Testamento.
Esta graça e verdade puras e cristalinas fluem através da mensagem do Evangelho genuinamente bíblico, e biblicamente interpretado.
Como é por meio disso que se cumpre o propósito de Deus de gerar em nós a vida eterna espiritual e celestial, é óbvio que Satanás (conforme permitido por Deus para o nosso aperfeiçoamento) se levantaria para tentar ofuscar esta mensagem divina por todos os meios, porque em Seu desígnio eterno, Deus determinou que ela deveria ser transmitida por aqueles que fossem convertidos a Cristo por meio dela.
Por séculos, o diabo tem criado organizações com o nome de cristãs, mas que ocultam ou distorcem a mensagem genuinamente evangélica, e assim, consegue manter muitos e por muito tempo, senão por toda a vida, afastados da possibilidade da salvação de suas almas.
Além de organizações, estabeleceu também movimentos, especialmente nestes dias em que pode fazer um uso amplo das tecnologias disponíveis para desfigurar a mensagem através do chamado tele-evangelismo; literatura tanto convencional quanto eletrônica, para difundir os mais diversos temas religiosos, que abordam tudo, menos a mensagem central do evangelho, que quando citada superficialmente, está tão misturada com conceitos pagãos, que não pode ser identificada.
Com isto, as mentes estão confusas, pensando que o evangelho, a graça e a verdade que Jesus veio nos trazer para sermos salvos, não passa de um grosseiro ensino sobre formas de ter prosperidade material; de se obter fama e honra mundanas; de usar técnicas psicológicas para melhorar relacionamentos e se sentir mais feliz; e toda sorte de objetivos terrenos, que podem ser alcançados por outros caminhos até mais efetivos do que a religião.
E se no entendimento comum é somente isto o que Jesus tem para nos oferecer, então, “muito obrigado por nada”, muitos dizem com razão sobre este produto estragado e falso que lhes é oferecido.
Todavia, uma vez formado o preconceito contra Jesus por se pensar que a Sua graça e verdade é tudo isto que se oferece em seu nome por aqueles que se autoproclamam seus mensageiros, cumpre-se o propósito do diabo de manter as pessoas escravizadas ao pecado, uma vez que essa libertação pode ser feita somente pelo poder de Jesus e mediante a prática do evangelho genuíno conforme revelado na Bíblia.
Ai de nós, se não fosse a misericórdia de Deus que abre os nossos olhos para discernir o verdadeiro do falso, e assim, sermos conduzidos à salvação.
A norma bíblica de tudo examinar e reter o que é bom está ficando cada vez mais difícil de ser cumprida, porque não é comum se observar algo bom, verdadeiro, precioso e útil para a nossa salvação e edificação nesta salada mista, na qual costuma estar sempre em falta o ingrediente do evangelho verdadeiro.
Hoje em dia, e como sempre, se alguém deseja conhecer Jesus é melhor ir diretamente às páginas da Bíblia, especialmente do Novo Testamento, e começar a fazer o seu próprio estudo da verdade diretamente na sua fonte, contando reverentemente com a ajuda do Espírito Santo, em espírito de oração, para ter o seu entendimento iluminado.
O Poder transformador da pregação dos Puritanos
Nós aprendemos dos puritanos que é através do ensino e da pregação que a verdadeira reforma virá. Já vimos anteriormente alguma coisa dos métodos exegéticos e expositivos dos puritanos. Agora vamos nos concentrar na perspectiva que eles tinham sobre a aplicação do sermão. É exatamente nesta área da aplicação que o sermão têm mais a nos oferecer.
A igreja de hoje é em geral muito fraca na área da pregação aplicativa. Basicamente existem três extremos que podem ser percebidos:
1) Em primeiro lugar vemos os ortodoxos, particularmente os reformados, com certa frequência dando uma palestra e, embora estejam dizendo a verdade e mesmo que seus sermões sejam bem verdadeiros, alguns deles não tratam muito com a questão da vida.
2) No evangelicalismo de hoje, geralmente dentro dos círculos carismáticos, existe o que eu chamo de um "blá-blá-blá" emocional que passa por cima das cabeças das pessoas, e a aplicação não brota da convicção que nasce da verdade, é mais emocional.
3) O que estamos vendo são sermões que apenas nos ensinam o que devemos fazer, são simplesmente guias do que devemos fazer: como ter um casamento bem sucedido, como usar o seu dinheiro de forma correta... e coisas assim.
Nenhum destes sermões que eu mencionei são tipos verdadeiramente bíblicos de pregação. Então vamos olhar para os puritanos e ver o que é um verdadeiro sermão aplicativo.
A) Importância da aplicação.
A aplicação era a segunda parte mais importante da pregação puritana. Já vimos o que nós chamamos de esquema triplo do sermão. Todo sermão puritano tinha três partes: (1) a doutrina que é o resumo das verdades encontradas no texto; (2) a demonstração que era o desenvolvimento daquela doutrina através de argumentos da Escritura e da persuasão; (3) e finalmente os usos. Quando os puritanos falavam sobre usos eles queriam se referir à forma prática pela qual estas verdades se aplicam na vida pessoal do indivíduo. Vocês lembram que a quinta marca do sermão puritano que nós já falamos anteriormente é que ele era transformador. Os puritanos nunca ficavam satisfeitos apenas em ensinar aquela verdade ao povo e deixar que ela ficasse ali pairando no ar. A paixão deles era que as pessoas sentadas nos bancos da igreja fossem transformadas pela verdade do Evangelho. No seu livro "O Surgimento do Puritanismo", o escritor Haller diz: "A tarefa do pastor puritano era examinar profundamente a consciência do pecador que estava abatido para sanar e curar os males da sua alma e enviá-lo, então, fortalecido e encorajado para que pudesse continuar sua batalha que dura toda a vida contra o pecado e Satanás".
Os puritanos, com esta perspectiva de pregação, não estavam dizendo nada novo. Não somente na sua teologia, mas também na sua pregação, eles estavam apenas desenvolvendo a obra de João Calvino. Calvino foi um grande teólogo, mas ele também foi um mestre e expositor. Ele mesmo disse que o sermão não seria verdadeiro se não aplicasse a verdade ao povo de Deus. Em certo sentido, Calvino se antecipa aos puritanos utilizando a palavra usos para se referir à parte aplicativa do sermão.
Existem dois livros sobre pregação calvinista que eu gostaria de recomendar a vocês. Um já não está mais sendo publicado em inglês e foi escrito por um teólogo francês, Pierre Marcel: "A Relevância da Pregação". É um livro pequeno, mas é o livro mais profundo que já li
sobre pregação. O segundo é escrito por T.H.L. Packer e também fala sobre a pregação de Calvino.
A ênfase puritana na aplicação do sermão se encontra no Diretório de Culto de Westminster, quando fala sobre a obra do pregador. Ele não deve ficar apenas em expor doutrinas gerais, mesmo que o faça de forma clara e bem demonstrada, mas deve aplicá-las de forma especial aos seus ouvintes. Mesmo que isto seja um trabalho de muita dificuldade e que exija muita prudência, zelo e meditação; mesmo que esta obra seja muito desagradável para o homem natural e corrupto, mesmo assim ele deve desenvolvê-la de tal maneira que os seus ouvintes sintam que a Palavra de Deus é viva e poderosa e pode discernir as intenções e os desejos do coração.
B) Tipos de aplicação.
Partindo da Escritura, os puritanos cuidadosamente distinguiam entre os tipos de aplicação a serem feitas. William Perkins desenvolveu algo importante partindo de II Tm. 3:16-17: "Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para repreensão, para correção, para educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda a boa obra". Baseado nesta passagem William Perkins ensinava que havia dois tipos básicos de aplicação: a aplicação intelectual e a aplicação prática. A aplicação intelectual tinha dois aspectos: positivo e negativo. O lado positivo seria informar às pessoas acerca das verdades que elas deveriam crer. A isto ele chamava de doutrina, apesar de estar usando doutrina aqui de uma forma diferente. E em segundo lugar, o negativo, seria a refutação do erro. A aplicação prática também tinha dois aspectos: o positivo e o negativo. Instrução (positivo), que consistia em conforto e encorajamento e correção (negativo), que consistia na admoestação. De acordo com Perkins, de cada passagem da Escritura poderíamos derivar estes tipos de aplicação, e que era o objetivo do pregador aplicar o texto destas diversas formas e de acordo com a intenção do Espírito Santo naquela passagem.
Os autores da Confissão de Fé de Westminster desenvolveram estes tipos de aplicações de forma mais detalhada, e no Diretório de Culto eles desenvolvem seis tipos de aplicação. Quero me referir a cada um deles dando exemplos da Escritura, porque os pastores precisam estar fazendo tudo isso nos sermões que pregam.
1) O primeiro tipo de aplicação mencionado no manual de culto de Westminster é informar.
Ou seja, aplicar alguma verdade do texto para que seja entendida pelas pessoas. À medida que o pastor está pregando em uma determinada passagem ele vai chamar a atenção dos seus ouvintes para uma doutrina que deve ser aceita e crida baseada naquela passagem da Escritura. Por exemplo, em João 4, quando Jesus conversa com a mulher samaritana. Ela pergunta no verso 20 onde deveria adorar. E a resposta do Senhor, no verso 21 é: "Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora, e já chegou, quando os verdadeiros adoradores adoraram o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores". Quando você prega nesta passagem, uma das aplicações que pode ser feita é aquilo que Deus revela a respeito do culto verdadeiro. E o que Deus deseja é que as pessoas creiam que o verdadeiro culto tem que ser simples, espiritual, e controlado pela Palavra de Deus. Então você aplica esta verdade à sua compreensão, à sua mente, ao seu intelecto. Esta é a aplicação da informação.
2) A segunda era a aplicação em termos de refutação. Que consistia em corrigir pensamentos errôneos, ou a maneira errada de pensar.
Temos um exemplo em Dt. 18. No fim deste capítulo Moisés dá as características do verdadeiro profeta, partindo do verso 19 de Deuteronômio 18: "De todo aquele que não ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome, lhe pedirei contas. Porém o profeta que presumir falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe mandei falar, ou que falar em nome de outros deuses, este profeta será morto. Se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o Senhor não falou? sabe que quando este profeta falar, em nome do Senhor, e a palavra dele não se cumprir nem suceder, como profetizou, esta é a palavra que o Senhor não disse; com soberba a falou o tal profeta: não tenhas temor dele". Aqui Deus nos ensina que tudo o que o verdadeiro profeta fala, acontece. Portanto, aqui vemos que a maneira de julgar a profecia é que se ela não se cumpre, o profeta é falso. E como é que nós aplicamos esta verdade em termos de refutação? Existem muitos hoje nas igrejas que reivindicam ser profetas; eles reivindicam receber palavras especiais da parte de Deus, e predizem coisas, mas nenhum deles é infalível e nenhum deles teve tudo o que já falou cumprido. Portanto, a aplicação aqui em termo de refutação é que pessoas desta natureza são falsos profetas. E nós precisamos aplicar esta passagem para ajudar o nosso povo a compreender isto.
3) O terceiro tipo de aplicação é exortação, que consiste em exortar o povo a obedecer ou cumprir os deveres requeridos em uma passagem.
Exemplo: Romanos 15:30-33: "Rogo-vos, pois irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e também pelo amor do Espírito, que luteis juntamente comigo nas orações a Deus a meu favor, para que eu me veja livre dos rebeldes que vivem na Judeia, e que este meu serviço em Jerusalém seja bem aceito pelos santos; a fim de que, ao visitar-vos, pela vontade de Deus, chegue à vossa presença com alegria, e possa recrear-me convosco. E o Deus da paz seja com todos vós. Amém!" A aplicação tipo exortação baseada nesta passagem seria desafiar os seus ouvinte a se dedicarem à oração particular e à oração corporativa. Eles estarão pecando se não o fizerem e devem servir a Deus fielmente desta forma, pela oração.
4) O quarto tipo de aplicação é admoestação ou repreensão pública.
O propósito deste tipo de aplicação é sondar o coração dos ouvintes para trazê-los ao arrependimento e levá-los a se afastar do erro, do pecado. I Cor. 6:9-11 – "Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus". Pregando nesta passagem você terá de advertir os seus ouvintes do perigo em viver neste tipo de vida, nestes pecados. Você deverá impressioná-los com esta verdade: que se eles vivem em pecados como estes, estarão caminhando para a condenação; que devem odiar o pecado e abandoná-lo. Esta é a aplicação em termos de reprovação, de censura e admoestação pública.
5) O quinto tipo de aplicação é conforto ou consolação.
E o propósito dessa aplicação é reanimar aqueles que estão abatidos com tristeza através da verdade da Escritura. Pode haver pessoas na sua igreja que não têm certeza de salvação, eles acham que talvez pecaram demais, e que Deus não os salvará. Mas você pode mostrar-lhes partindo de I Co. 6:11, que Paulo disse, "Tais fostes alguns de vós, mas vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados" e você então mostra ao seu povo que Deus salva todo tipo de pecador, que não existe ninguém que peque além da possibilidade de salvação. Mas talvez haja aqueles que estejam sofrendo debaixo de grande tristeza e angústia. Para estes você aplica por exemplo aquela promessa de I Tess. 4:13: "Não queremos, porém, irmãos que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança." E no verso 18: "Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras." Pregue sobre a segunda vinda de Cristo e você aplica esta passagem àqueles que perderam os seus entes queridos para que possam desfrutar o conforto da esperança da ressurreição.
6) O sexto tipo de aplicação mencionado no manual de culto de Westminster é o exame.
Os puritanos davam ao seu povo na igreja marcas e padrões concretos da Escritura pelos quais ele deveriam se medir e se analisar, se examinar. Eles então chamavam as pessoas para se examinarem a si mesmas para ver se estavam realmente em Cristo, e para isto eles lhes forneciam as marcas características daquelas pessoas que verdadeiramente estão em Cristo. Você tem prazer em Cristo? Você deseja ser salvo do pecado? Você ama a Palavra de Deus? Você ama os irmãos? Se a resposta é sim, então você está em Cristo, porque só um crente experimenta estas coisas. Ou talvez você esteja pregando sobre o quarto mandamento, sobre o santificar o Dia do Senhor, e então faz a pergunta: Você está santificando o Dia do Senhor? Você vai a Is. 58:13, por exemplo, e lhes dá as marcas ou padrões pelos quais eles podem examinar o seu comportamento. Deve ler o versículo 13: "Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs". Aqui o puritano colocaria diante da congregação, marcas ou um padrão objetivo pelo qual o crente poderia se auto-examinar se de fato está cumprindo o quarto mandamento. Se ele parou de trabalhar normalmente com exceção dos trabalhos de misericórdia. O puritano repetia aplicações em cada sermão que pregava.
O que devemos fazer é decidir o que nosso povo precisa e usar três ou quatro tipos de aplicações no sermão que confrontem e que supram as necessidades da nossa congregação, mas assegurando-nos de que através do período normal da pregação você esteja utilizando no sermão alguns destes seis tipos de aplicação.
C) Descrição analítica da congregação.
Finalmente nós chegamos à terceira parte. Já falamos sobre a importância da aplicação e falamos sobre os tipos de aplicação. A terceira coisa que os puritanos faziam era uma descrição analítica dos tipos de pessoas presentes na sua audiência. Geralmente a nossa aplicação é ineficaz porque nós não estamos conscientes das diversas categorias de pessoas que estão presentes na nossa audiência. E os puritanos eram mestres em usar aqueles tipos de aplicação que foram mencionados para determinadas categorias de pessoas presentes na audiência.
Categorias dos ouvintes.
William Perkins, por exemplo, classifica os ouvintes em sete categorias. As quatro primeiras categorias se referem a não convertidos. E na evangelização, quer seja no púlpito ou pessoalmente, você deve ter sempre em mente estes quatro tipos de pessoas não convertidas.
1. O primeiro é aquele que é absolutamente ignorante e incapaz de ser ensinado. Dentro dessa categoria se encaixam aqueles que nada sabem ou sabem muito pouco a respeito de Deus e da Sua Palavra. Mas apesar disso ele é orgulhoso e está endurecido no seu pecado. Esta pessoa precisa passar por um período de preparação antes de poder receber a Palavra de Deus. Essa preparação se inicia quando o pregador faz com que a lei de Deus venha sobre a sua vida reprovando alguns dos pecados que possivelmente ele poderá estar cometendo. E, se então, começa a demonstrar que está agora numa posição que já pode ser ensinado, você começa de uma forma geral, a explicar a verdade da Escritura para ele. Se ele continua a demonstrar interesse, você então explica de forma bem clara e detalhada sobre Cristo e o Evangelho. Mas se permanece sem nenhuma vontade de aprender, "bata o pó dos pés", não jogue as Suas pérolas aos porcos.
2. O segundo tipo de descrente é aquele que é completamente ignorante, que não sabe de nada, mas pode ser instruído. Esta pessoa manifesta um certo quebrantamento, ela não está conscientemente e propositalmente se rebelando contra Deus, mas não conhece nada do cristianismo bíblico. Ela precisa ser instruída no ABC da Bíblia. Os puritanos acreditavam que o pecador tem que saber quem é Deus, quem Cristo é e o que Ele fez. É tolice chegar para uma pessoa, na nossa cultura, e dizer: "Deus lhe ama!" Ou perguntar: "Quem é Deus?" Ela irá dizer: "Eu não sei." Você precisa explicar para esta pessoa quem é Deus, e que se ela persistir nos seus pecados não estará sob o amor de Deus, mas sob a ira de Deus. Assim, colocamos diante dela as verdades básicas da religião bíblica e mostramos o caminho do Evangelho.
3. O terceiro tipo de descrente é aquele que teve algum conhecimento, mas não foi humilhado, quebrantado. Esse é um hipócrita que sabe tanto a respeito da Bíblia, mas o seu coração é altivo diante de Deus. A lei tem de ser trazida e aplicada sobre o coração desta pessoa. É necessário que se aplique a lei de Deus especificamente contra seus pecados para que ele venha a ficar entristecido pelo pecado. E em vez da tristeza geral do mundo ele deve ser levado àquela tristeza que vem de Deus em vista dos seus pecados. O que produz este tipo de sentimento é a lei de Deus quando nós a pregamos especificamente. Mas a pregação da cruz também pode quebrantar o coração de um pecador endurecido, pois fala do grande amor de Deus em dar o Seu único Filho para pagar os pecados do povo e mostra Cristo pendurado na cruz, condenado, julgado e sofrendo pelos pecados do Seu povo. E então você lhe pergunta: "Por que teve de ser assim? Por que Deus destruiria o seu próprio Filho? Por causa do horror do pecado!" Uma pessoa pode se quebrantar diante destas verdades. Nós devemos fazer a pessoa consciente da maldição da lei sobre o pecador: aquele que pecar certamente morrerá.
Jonathan Edwards era mestre em demonstrar às pessoas as realidades da ira de Deus e da condenação do inferno para que seus corações fossem quebrantados, para que eles pudessem correr e refugiar-se em Cristo. À medida que você percebe que o coração daquele que é endurecido, está começando a se quebrantar com profunda tristeza por causa do pecado, então, você traz para ele a consolação do Evangelho.
4. Isso nos leva ao quarto tipo de ouvinte não convertido. Aquele que está quebrantado, o pecador no pó e na cinza. Primeiro o pregador deve se certificar que ali está uma pessoa que está quebrantada pelo motivo certo, ou seja, tristeza pelo pecado. Aplicar ou oferecer o
Evangelho a uma pessoa que não está quebrantada pelo motivo certo e só contribuir para que ela fique ainda mais endurecida. Mas quando eles demonstram possuir o verdadeiro quebrantamento, então eles podem e devem ser assegurados da verdade, do conforto e das promessas do Evangelho.
Nas nossas congregações, domingo após domingo, sempre teremos na nossa audiência pessoas que se enquadram nestes quatro tipos mencionados. E as flechas do Evangelho que nós desferimos nos nossos sermões não devem ser atiradas por cima das cabeças como os soldados sírios. Estejamos sempre conscientes destes tipos de ouvintes nas igrejas. E você dirija as suas palavras a cada um deles como classes definidas de pessoas.
5. O quinto tipo de ouvinte é aquele que crê, é o crente novo, o novo convertido, que precisa ser instruído nas verdades básicas, fundamentais: justificação, santificação, perseverança, a lei de Deus como regra de conduta, e que periodicamente precisa também ser lembrado da ira de Deus contra o pecado. Porque em cada um de nós ainda permanece os resíduos do pecado. E é bom meditar sobre o ódio que Deus tem ao pecado, para que possamos fugir dele e procurar o Senhor Jesus para nossa santificação.
6. O sexto tipo de ouvinte é aquele que havia apostatado, decaído. Perkins dizia que a pessoa pode decair não somente na fé, mas também na prática. Aqueles que decaíram nas questões de fé são os que se deixaram envolver por doutrinas erradas. E, então, fazemos aquele tipo de aplicação tipo refutação para corrigir a sua forma errônea de pensar. E um dos efeitos de decair da fé, da doutrina correta, é perder a certeza de salvação. E quando pregamos devemos sempre lembrar que há pessoas no nosso auditório que perderam a certeza. Então lhes dirigimos o conforto do Evangelho, e mencionamos as características daqueles que são verdadeiramente regenerados. A segunda categoria daqueles que decaíram na prática, ou seja, aquelas pessoas que incorreram na quebra de algum mandamento ou estão cometendo algum pecado. Eu hoje em dia não me escandalizo mais quando descubro o que alguém na minha congregação está fazendo. O diabo é um inimigo poderoso e inteligente e ele pode fazer com que o justo caia em pecados hediondos, horríveis. Os pastores não devem ficar pensando que estas pessoas queridas que você ama e que sabe que andam com Deus, são isentas do pecado. Nos meus vinte e sete anos de ministério eu já vi presbíteros caírem em adultério, crianças serem violentadas; pessoas com pecados na área dos negócios, outros envolvidos com pornografia, pecados terríveis. Mesmo um santo homem como Davi pôde cair em pecados terríveis, e devemos no púlpito avisar e exortar estas pessoas e chamá-las ao arrependimento.
7. E a última categoria é a daqueles que Perkins chama de "misturados". I Jo. 2.12-14: "Filhinhos, eu vos escrevo porque os vossos pecados são perdoados, por causa do seu nome. Pais, eu vos escrevo porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens eu vos escrevo porque tendes vencido o maligno. Filhinhos, eu vos escrevi, porque conheceis o Pai. Pais eu vos escrevi, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens eu vos escrevi porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o maligno." Eu acredito que com esta classificação, "misturados", Perkins queria dizer que na nossa congregação nós vamos ter pessoas que são desde crianças na fé até aqueles que são já adultos em Cristo, maduros. Há aqueles que são crianças, bebês espirituais e há aqueles que são como jovens, fortes e corajosos, e aqueles mais antigos, que já andaram com Deus por um longo período. Na nossa pregação devemos levar em conta este tipo de audiência diversificada.
Falando agora sobre os tipos de ouvintes, vejamos a abordagem dos puritanos sobre a análise que o pastor fazia desses tipos na sua audiência. No Diretório de Culto de Westminster vemos que o pastor não precisa, toda vez que está pregando, ir até o fim para achar cada doutrina que está no seu texto, mas ele deve selecionar aquelas aplicações que acha que são mais apropriadas (através do convívio) para o seu rebanho. Em outras palavras, a forma pela qual o pastor puritano conhece e analisa a sua congregação é através do ministério pastoral de visitação, através do qual ele vem a conhecer as diversas necessidades da sua congregação. Estou convencido que ninguém pode ser um pregador eficaz sem um trabalho regular de visitação e convívio com o seu rebanho.
Agora vamos concluir falando alguma coisa sobre método e ajudas para o processo de aplicação.
1) Em primeiro lugar a aplicação tem de ser direta. Lemos no Diretório de Culto que o pastor deve fazer a aplicação de tal maneira que os seus ouvintes percebam que a Palavra de Deus é viva e poderosa; que é capaz de descobrir os intentos e desejos do coração, e que se
houver qualquer pessoa presente que seja descrente e sem conhecimento, os segredos do seu coração serão manifestos e aquela pessoa dará glória a Deus. Portanto, quando nós estamos pregando devemos fazer a aplicação de forma direta usando o pronome "você". Você
não pode deixar a sua aplicação simplesmente em termos gerais, você tem que ser específico, direto. E você também pode ser direto chamando ou nomeando os diversos tipos de ouvintes. Por exemplo você pode dizer: "Alguns de vocês aqui nesta manhã estão endurecidos nos seus pecados, vocês são altivos e arrogantes, e a Palavra de Deus condena você. Talvez haja alguns que estão com o coração quebrantado; você que está com o seu coração quebrantado, que está vendo a luz da santidade de Deus. Meus queridos amigos, vejam como Cristo abre os seus braços; Ele diz: venha a mim." É isso que eu quero dizer com aplicação direta.
2)Você precisa usar o contato com os olhos; você não pode ficar preso a um sermão escrito, ao seu esboço. Quando está pregando, você deve olhar a sua audiência nos olhos de tal forma que cada um pense que você está falando diretamente para ele. Você deve se esforçar
para ser direto na sua aplicação e faça uso eficaz de perguntas retóricas. Entendem o que eu quero dizer por pergunta retórica? É uma pergunta que faz com que o ouvinte responda a si mesmo, na sua própria cabeça. E alguma vez você pode fazer esta pergunta tão bem feita que até alguém vai abrir a boca e falar na igreja, mas a pergunta retórica faz com que o coração se envolva diretamente com a aplicação. Por exemplo: "Será que alguém que ama a Cristo faria um negócio deste? Você pensa que pode amar a Cristo e ao mesmo tempo deixar de vir ao culto?" Veja, então, como estas perguntas retóricas se apoderam da mente e do coração dos ouvintes e extrai deles uma resposta, uma reação.
2) Em terceiro lugar, na sua aplicação seja bem específico, não fique apenas em argumentos ou aplicações gerais. Quando se está aplicando a Palavra contra pecados específicos você vai fazer com que cada ouvinte pense especificamente a respeito da sua própria vida. Pode ser que ele ainda não esteja praticando os pecados que você está censurando, mas você vai fazê-los pensar sobre as suas próprias vidas. Frequentemente quando eu prego e a pessoas vêm e me dizem: "Pastor, de fato Deus me mostrou essa ou aquela coisa errada na minha vida." E eu nem mencionei aquele tipo de coisa particular que o ouvinte citou, mas, porque eu fui específico na minha aplicação, eles foram específicos com o seu próprio coração.
4) Em quarto lugar a nossa aplicação deve fazer uso de argumentações com o propósito de dar às pessoas as razões pelas quais elas devem fazer aquilo que têm de fazer. Nós mencionamos as ameaças de Deus e as promessas de Deus para motivá-los. Jonathan Edwards era um mestre nesta área de dar às pessoas as motivações certas para levá-las à obediência. Relacionado com isto nós usamos argumentos, demonstrações que vêm reforçar o que estamos dizendo, e as razões pelas quais eles deviam cumprir seu dever ou abandonar determinado pecado. E, além disto, nós devíamos dedicar algum tempo para responder às possíveis objeções ou perguntas, antecipando assim as dúvidas que aqueles duvidosos teriam em seus corações. Use perguntas retóricas. Talvez alguns de vocês seja um exemplo. Poderia estar pensando alguma coisa, e o pregador continua e trata daquela possível pergunta ou objeção. Portanto, somos na aplicação, diretos; usamos perguntas retóricas, específicas; usamos argumentos; e finalmente em quinto lugar:
5) Devemos dar-lhes auxílio, ajuda. Não somente dizemos para eles que devem orar, mas dizemos como eles podem adquirir o hábito da oração. Não somente dizer que deixem de praticar tal pecado, mas devemos mostrar como fazê-lo.
6) Em sexto lugar, agora, devemos dar os padrões, marcas e sinais pelos quais os ouvintes podem se autoanalisar para que vejam se estão realmente em Cristo, se estão obedecendo a Deus como deveriam. Quando nós aplicamos a
Palavra de Deus desta forma ela se torna poderosa e eficaz. É um trabalho difícil, vai exigir muito trabalho da parte do pastor, vai despertar muito ódio e oposição da parte da congregação, mas é o tipo de pregação determinado por Deus para transformar as pessoas. Eu quero exortar e encorajar a cada um dos pastores e pregadores. Que tomem o propósito que irão pregar a Palavra de Deus de tal maneira que venham a tratar diretamente com as pessoas da sua congregação. Amém!

Edition Notes

Published in
Rio de Janeiro, Brasil

The Physical Object

Format
Paperback
Pagination
ix, 61p.
Number of pages
61
Dimensions
21 x 14,8 x 0,5 inches
Weight
101 grams

Edition Identifiers

Open Library
OL25937709M

Work Identifiers

Work ID
OL17359846W

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Religião cristã

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