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A Palavra que é Espírito e Vida

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September 2, 2016 | History
An edition of A Palavra que é Espírito e Vida (2016)

A Palavra que é Espírito e Vida

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Por que o nosso espírito vive de toda palavra que sai da boca de Deus?
Porque assim como o pão é alimento para a vida do corpo, a palavra de Deus é o alimento da vida do espírito.
Em relação a Deus, a Sua palavra é muito mais do que simples definição de objetos e realidades, pois somos informados que tudo foi criado por Ele mediante a expedição de Sua palavra de ordem.
Ele ordenou: “haja luz” e a luz foi criada. E assim se fez em todos os atos da criação. Vemos então, que a palavra é a expressão operativa da Sua vontade e poder.
Isto foi visto no ministério terreno de Jesus quando operou milagres, expulsou demônios, e acalmou a fúria do mar, pelo simples uso da sua palavra de ordem. Deus possui, portanto o poder de dar à Sua palavra uma faculdade operativa e criativa.
Por isso, Jesus afirma que Suas palavras são espírito e vida, e o apóstolo Pedro reconheceu que eram de fato, palavras de vida eterna.

Publish Date
Publisher
Silvio Dutra
Language
Portuguese
Pages
62

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A Palavra que é Espírito e Vida
2016, Silvio Dutra
Paperback in Portuguese

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Table of Contents

A Palavra que é Espírito e Vida
Silvio Dutra
FEV/2016
2
A474
Alves, Silvio Dutra
A palavra que é espírito e vida./ Silvio Dutra
Alves. – Rio de Janeiro, 2016.
77p.; 14x21cm
1. Escrituras. 2. Bíblia. 3. Vida. 4. Palavra de
Deus. I. Título.
CDD 220
CDD 230.227
3
Sumário
Palavra
4
Uma Fonte Segura e Autenticada
8
Nossa Relação com a Palavra
11
A Única Palavra Viva
12
Entendendo as Palavras de João
14
Nenhuma Palavra de Cristo Jamais Falhará
32
Como e Com Que o Jovem Purifica o Seu Caminho
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A Palavra de Deus é Viva e Eficaz
58 Estas Palavras que Hoje te Ordeno
69 Como a Palavra Produz a Fé
72
4
Palavra
“Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.” (Mateus 4.4)
Por que o nosso espírito vive de toda palavra que sai da boca de Deus?
Porque assim como o pão é alimento para a vida do corpo, a palavra de Deus é o alimento da vida do espírito.
Em relação a Deus, a Sua palavra é muito mais do que simples definição de objetos e realidades, pois somos informados que tudo foi criado por Ele mediante a expedição de Sua palavra de ordem.
Ele ordenou: “haja luz” e a luz foi criada. E assim se fez em todos os atos da criação. Vemos então, que a palavra é a expressão operativa da Sua vontade e poder.
Isto foi visto no ministério terreno de Jesus quando operou milagres, expulsou demônios, e acalmou a fúria do mar, pelo
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simples uso da sua palavra de ordem. Deus possui, portanto o poder de dar à Sua palavra uma faculdade operativa e criativa.
Por isso, Jesus afirma que Suas palavras são espírito e vida, e o apóstolo Pedro reconheceu que eram de fato, palavras de vida eterna.
Se lermos a Bíblia ou a ouvirmos sendo pregada e ensinada, com espirito de reverência e devoção, com certeza a fé será despertada e tornará a palavra lida ou ouvida, em espírito e vida para nós, pela ação do Espírito Santo em nossas mentes e corações. Isto ocorre, porque as Escrituras foram produzidas pela inspiração do Espírito Santo. Elas possuem a vida que nelas foi insuflada pelas verdades ensinadas e reveladas pelo Espírito.
Essas verdades enchem a alma de vigor, paz e alegria. Elas renovam a mente e santificam a vida. Elas elevam o espírito à presença de Deus e o modelam à semelhança do caráter de Cristo.
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São palavras puras, poderosas, celestiais, espirituais e divinas. Elas inspiram bons sentimentos e propósitos. Inclinam o espírito a amar a Deus e ao próximo.
A elas, assim se expressou o salmista:
A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria aos simples.
Os preceitos do Senhor são retos, e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, e alumia os olhos.
O temor do Senhor é limpo, e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e inteiramente justos.
Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o que goteja dos favos.
Também por eles o teu servo é advertido; e em os guardar há grande recompensa.” (Salmo 19.7-11)
Ele havia aprendido e reconhecido a qualidade de vida que é achada na Palavra
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de Deus, quando observada e praticada por nós.
Quando a nossa conversação se afasta do padrão divino estamos em sério perigo, pois é por nossas palavras que somos condenados ou justificados.
A boca fala do que está cheio o coração. Nossa conversação revela o que somos de fato em nosso interior. Palavras fúteis procedem de um coração fútil. Palavras amargas, de um coração amargo. Palavras impuras, de um coração impuro.
Então, pela torpeza do falar se conhece a torpeza do nosso interior. Precisamos da lavagem de purificação pela Palavra de Deus, para que o nosso coração seja feito uma fonte da qual procedam palavras abençoadoras e edificadoras.
8
Uma Fonte Segura e Autenticada
“Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo.” (João 7.17)
“Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte.” (João 8.51)
Dentre as muitas passagens do evangelho nas quais nosso Senhor Jesus Cristo fala do efeito da Palavra revelada de Deus em nossas vidas, destacamos as duas acima.
Na primeira vemos que a prática da Palavra não somente leva-nos a fazer a vontade de Deus, como testifica em nosso espírito e entendimento quanto à veracidade da mesma como sendo de procedência divina, uma vez que tudo o que se refere à vida celestial e espiritual, conforme registrado na Bíblia, é conhecido e vivido somente mediante a fé em Cristo e em Sua Palavra.
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Na segunda passagem nosso Senhor nos assegura que somente aqueles que guardam a Sua Palavra podem obter a vida eterna, e consequentemente vencer a morte espiritual e eterna.
Isto não é um privilégio para poucos, conforme suas habilidades, capacitações e méritos, mas para toda e qualquer pessoa, em qualquer condição, conforme se depreende da condicional usada por Jesus, “se alguém...”, de modo que a porta está aberta para qualquer que queira sinceramente conhecer e fazer a vontade de Deus.
Jesus designou a fonte para este conhecimento e conversão, apenas como sendo a Palavra da verdade revelada.
Graças a Deus que inspirou servos previamente escolhidos e que foram capacitados por Ele para que registrassem a Palavra do evangelho, revelado na pessoa de Jesus Cristo, de modo que não fôssemos enganados por qualquer outra palavra suposta como de Sua procedência, e que não o fosse de
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fato, senão uma palavra falsa ou adulterada, que jamais poderia operar a nossa salvação e transformação em novas criaturas renascidas do Espírito Santo.
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Nossa Relação com a Palavra
Quando afirmamos a necessidade essencial de se amar e observar a Palavra de Deus, o que está em foco não é propriamente sacralizar o texto bíblico, numa forma de meramente honrar a palavra escrita, como se fora um tipo de talismã.
Não foi para este propósito que Deus revelou a Sua Palavra em forma escrita.
Foi para que aprendêssemos sobretudo acerca da Sua pessoa e caráter divino, e do modo como somos redimidos do pecado por Cristo, e como devemos amá-lo com todo o nosso coração, força e mente, através de um procedimento e comportamento que estejam ajustados ao que nos é ordenado na Palavra.
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A Única Palavra Viva
O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida. (Jo 6.63)
Estas profundas palavras foram proferidas no Espírito, pelo próprio Jesus Cristo
Quando disse que é o espírito o que vivifica, ele apontou o caminho pelo qual esta vida eterna é recebida, a saber, as suas palavras registradas na Bíblia, porque não são meras palavras, mas espírito e vida.
Elas transmitem a vida do céu a todo aquele que a receber com fé.
Por isso importa que a palavra do Evangelho seja anunciada com a unção do Espírito Santo, para que opere o efeito esperado por Deus no coração dos seus ouvintes, ou leitores.
A vida está no espírito e não na carne.
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A carne morre a cada dia e passa, mas o espírito se renova e permanece para sempre.
Mas, como todos temos um espírito morto, afastado naturalmente da vida de Deus, necessitamos que ele seja revivificado pelo Espírito Santo, através da instrumentalidade da Palavra de Deus, por meio da qual somos salvos e santificados.
A Palavra viva sempre falará conosco e transmitirá a vida espiritual e celestial, quando nela meditarmos, seja ouvindo-a, ou lendo-a com humildade de espírito.
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Entendendo as Palavras de João
Leia o texto relativo ao início do evangelho de João, e tente interpretá-lo. Qual é o seu significado? Pelo menos, o que podemos aprender sobre a verdade, com estas palavras do apóstolo?
“1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
2 Ele estava no princípio com Deus.
3 Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
4 Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
5 E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.”. (João 1.1-5)
A palavra “Verbo” do primeiro versículo, foi vertida da palavra “Logos”, no original grego do Novo Testamento, e por isso as versões das Bíblias inglesas trazem “Palavra”, em vez de Verbo.
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Mas como verbo é palavra indicadora de ação, a maior parte das traduções da língua portuguesa trazem Verbo em vez de Palavra.
Tanto um uso quanto outro estão corretos, mas Palavra define melhor o pensamento de João ao usar esta palavra para se referir à Pessoa de Jesus, porque certamente ele tinha em mente demonstrar que Jesus foi quem tomou parte na criação ao lado de Deus e do Espírito Santo, sendo a Palavra que tudo criou, porque é dito que o mundo foi feito pela Palavra de Deus, uma vez que Ele disse em cada ato da criação: “faça-se”.
Foi portanto pelo uso da palavra, pelo uso do verbo, que é a classe de palavra que é indicadora de ações e operações, que Deus trouxe todas as coisas à existência.
“Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo sopro da sua boca.” (Sl 33.6).
“Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de
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modo que o visível não foi feito daquilo que se vê.” (Hb 11.3).
“Pois eles de propósito ignoram isto, que pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste;” (II Pe 3.5).
Ao fazer uso da palavra Verbo, João a associou aos atos da criação dos céus e da terra, conforme se vê no verso 3.
Mas ao identificar Jesus como sendo o Logos, a Palavra, ou Verbo eterno, podemos também considerar que a mente eterna de Deus foi revelada a nós por meio dEle.
Os pensamentos puros, perfeitos e conhecedores de tudo o que há em Deus, são inerentes a Cristo e Ele os revelou a nós.
É somente por meio dEle que os selos do livro da vida são removidos para que os mistérios da verdade sejam revelados a nós.
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Se Ele não tivesse se manifestado ao mundo, permaneceríamos nas trevas quanto a esta vida do Espírito Santo que se manifesta nos cristãos, pela fé nEle.
(Quando falo “cristão” não estou contemplando nenhuma igreja ou denominação religiosa específica, mas aqueles que professam o nome de Jesus Cristo, como Senhor e Salvador de suas vidas).
Vida de poder espiritual e de comunhão em amor celestial.
Vida de frutos e dons espirituais que são comunicados entre aqueles que têm sido vivificados pela luz de Cristo, a qual, quando permanecemos nela, faz com que a vida de Cristo se manifeste em nós.
Como a luz do sol garante a existência da vida física na terra, de igual modo, Cristo é o único sol que sustenta a vida do espírito.
Neste sentido, pode-se dizer então que Cristo é a fonte mesma da qual procede
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toda a Palavra que sai da boca de Deus, sendo que Ele mesmo é Aquele por quem se expressa esta Palavra.
Daí ter dito que a Palavra que Ele proferia não provinha dEle próprio, mas do Pai, isto é, tudo o que o Pai expressa pela Palavra, Ele o faz por meio do Filho, de maneira que João havia apreendido este ensino e verdade comunicado por Jesus aos apóstolos em Seu ministério terreno, e pôde aprender que o mundo foi feito pela Palavra liberada pelo próprio Cristo, daí dizer que Ele é a Palavra (Verbo) pela qual todas as coisas foram feitas, e que sem Ele nada do que foi feito se fez (v. 3); isto é, o Pai nada fez sem a participação de Cristo.
Somente Jesus tem as palavras de vida eterna. Pedro teve este reconhecimento que é dEle que emana a palavra que dá vida aos pecadores (Jo 6.68), e a experiência comprova isto em todos os testemunhos de conversão.
“Segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que
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fôssemos como que primícias das suas criaturas.” (Tg 1.18).
“tendo renascido, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e permanece.” (I Pe 1.23).
Os textos destacados acima de Tiago e Pedro revelam o ato da nova criação pela Palavra.
E João diz que esta palavra criativa é o Logos, e a identifica imediatamente com Cristo e afirma que Ele próprio é esta ação criativa que traz todas as coisas à existência, e sabemos, inclusive esta nova vida celestial que é dada aos cristãos.
Esta Palavra é a verdade, e Jesus disse também ser esta verdade, a qual liberta e dá vida.
Há então poder e ação envolvidos nesta Palavra aqui referida pelo apóstolo, e a que é citada em todas as passagens bíblicas que se referem a ações de
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criação, de salvação, de santificação, e de tudo o mais que dependa da liberação do poder pela Palavra de Cristo.
Por isso Jesus havia dito que as suas palavras são espírito e vida (Jo 6.63). E também que o homem não vive somente de pão, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Mt 4.4), porque é pela palavra de ação poderosa, que novas criaturas com a vida que procede do céu são geradas.
E que é a prática da Sua palavra, isto é, tê-la em devida consideração e vivendo segundo o seu poder, que se tem a vida solidamente firmada num fundamento inabalável (Mt 7.24).
Era com a Sua palavra de ordem que Jesus expulsava demônios e curava enfermos, e que ainda o faz através da Igreja (M 8.16).
É por isso que as palavras de Jesus jamais passarão porque são eternas assim como Ele é eterno (Mt 24.35).
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Desta forma, crer de fato em Jesus é permanecer nEle, e permanecer nEle é permanecer portanto na Sua palavra; e como esta palavra é a vida eterna, aquele que a guarda jamais morrerá eternamente (Jo 8.31; 51; 14.24).
Como Jesus é santo, é a sua Palavra que nos santifica (Jo 15.3; 17.17).
Foi por isso que a Igreja Primitiva tinha poder para pregar o evangelho, porque eles viviam e pregavam somente a Palavra (At 4.29, 31; 5.20; 6.2, 7; 8.4, 25;10.44; 11.14; 12.24; 13.5, 44, 48, 49; 14.3, 25; 15.35, 36; 16.32; 17.11; 18.5, 11; 19.10, 20; 20.32).
A fé é gerada por se ouvir a Palavra (Rom 10.17).
Nós vemos nas palavras de Paulo em I Cor 1.17; 2.1, 4, 13; I Tes 1.5 que a pregação desta Palavra viva é muito mais do que simplesmente exposição verbal de conceitos teológicos, ou de meras citações bíblicas, mas a liberação da porção da verdade, conforme está
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revelada nas Escrituras, em exposição com palavras ensinadas pelo Espírito e no poder do Espírito, conforme esta é revelada pelo mesmo Espírito ao coração e mente do pregador (Ef 6.19):
“Porque Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o evangelho; não em sabedoria de palavras, para não se tornar vã a cruz de Cristo.” (I Cor 1.17).
“E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria.” (I Cor 2.1).
“A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito de poder;” (I Cor 2.4).
“as quais também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito Santo, comparando coisas espirituais com espirituais.” (I Cor 2.13).
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“porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo e em plena convicção, como bem sabeis quais fomos entre vós por amor de vós.” (I Tes 1.5).
“no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa,” (Ef 1.13).
Assim, aqueles que têm a plenitude de Cristo são aqueles que têm também a plenitude da Sua Palavra habitando neles ricamente (Col 3.16). São estes que, segundo Cristo, podem comprovar que a doutrina que Ele pregou é realmente do céu, provinda do Pai (Jo 7.17).
Então Jesus é esta Palavra eterna que criou o mundo e cria a vida eterna naqueles que recebem dEle esta Palavra viva e poderosa, que gera vida e vida em abundância.
Aquele que permanecer nesta Palavra, conforme Ele ensinou e os apóstolos o
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confirmam nas Escrituras, haverão de ter a atestação desta verdade em suas próprias vidas pela transformação que será operada nelas por causa de permanecerem na Palavra, uma vez que o Espírito atuará neles por estarem permanecendo na verdade, porque o Espírito é Espírito da verdade (João 14.17; 15.26; 16.13).
Esta Palavra já existia antes que houvesse mundo, antes da existência do tempo cronológico, ao que João chama de “no princípio” mostrando que era, que é e sempre será.
Não que tivesse começado com princípio de existência, mas por ter sempre existido sem começo, nem fim, sendo ao mesmo tempo o Alfa e o Ômega (a primeira e a última letras do alfabeto grego) de maneira que início e fim se confundem por fazerem parte de um todo indissolúvel e eterno (Apo 1.8; 21.6; 22.13).
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Cristo sempre esteve em coexistência com o Pai. Ele estava, está e sempre estará com Deus.
De maneira que crer em Cristo é crer em Deus Pai porque o Pai e o Filho coexistem em perfeita unidade e são inseparáveis.
Temos visto então, nesta primeira parte do nosso comentário sobre as palavra místicas de João em seu evangelho, o significado do Verbo divino, e tentaremos descortinar na segunda parte, a referência que ele faz à luz.
Somente Jesus estava qualificado para efetuar a nossa redenção porque Ele conhece perfeitamente a nossa constituição total, de espírito alma e corpo porque Ele nos criou, assim como todas as coisas.
Somente Ele conhece também a nossa situação, relativa à nossa constituição natural, que é totalmente de trevas espirituais. De densas trevas produzidas pelo pecado que nos impedem de ver a
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Deus, compreendê-Lo, à sua vontade, e as coisas relativas ao reino dos céus.
João afirma no verso 4 que a vida estava em Cristo, e que esta vida era a luz dos homens.
Jesus é então o sol da justiça que permite que os nossos olhos espirituais sejam curados e vejam o mundo espiritual da verdade, celestial e divino.
Fora dEle, em relação ao entendimento das coisas do espírito, tudo é trevas.
Ele é o Deus vivo, que não é Deus de mortos, mas de vivos, porque tudo o que vive tem a sua origem em Deus, por meio de quem tudo subsiste.
Todo espírito que está ligado a Deus vive e viverá eternamente.
Mas fora de Deus tudo é morte.
O fato de ser a vida de Cristo a luz dos homens, isto está restringido no verso 5 àqueles que são de Cristo, porque aqueles que amam as trevas não podem
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compreender esta luz, espiritual, celestial e divina.
E estas trevas espirituais significam morte espiritual. Assim como as trevas totais permanentes significam morte para a existência física.
Precisamos portanto, de luz espiritual para ter vida espiritual.
E esta vida está somente em Jesus.
É dele somente que a podemos receber.
Por isso é necessário que aqueles que foram alcançados por essa maravilhosa luz, que andem continuamente na luz, porque ela lhes é necessária e vital.
Deus criou a humanidade para ser uma lâmpada que brilhe com a Sua luz, queimando com o óleo do Espírito Santo.
João diz que a vida de Cristo é a luz dos homens, porque os cristãos devem ser como lâmpadas que emitem a luz de Cristo.
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É a Palavra eterna na lâmpada que é o cristão, que o faz brilhar com o brilho que procede de Deus.
Sem a Palavra que acende esta lâmpada, ela permanece apagada.
Por isso se ordena aos cristãos que não apaguem o Espírito Santo, para não terem as suas próprias lâmpadas, que são suas vidas, apagadas.
Para que tenha luz, o cristão depende inteiramente de Deus, e portanto da Sua Palavra e do fogo do Espírito Santo.
Deus uniu a ambos para que o cristão possa brilhar, e assim manifeste a vida eterna de Deus para iluminar este mundo de trevas.
A luz condenará as obras infrutíferas das trevas naqueles que permanecem no pecado, porque fará a exposição do que se ocultava nas trevas:
“Mas todas estas coisas, sendo condenadas, se manifestam pela luz, pois tudo o que se manifesta é luz.” (Ef 5.13).
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É pela luz da revelação divina que o pecado pode ser condenado ou extirpado.
João nos diz que a vida está em Jesus, e que esta vida era a luz dos homens; isto é, somente quando a vida poderosa de Jesus se manifesta em alguém, que tal pessoa poderá vir para a luz de Deus e conhecer a Deus e compreender as coisas espirituais e divinas.
Assim, fora de Cristo, não há tal possibilidade, porque vida e luz para os homens procedem dEle.
A vida eterna que nós necessitamos para escapar da morte eterna está somente em Cristo Jesus, e é nEle portanto que devemos buscá-la, e João nos indica o meio de obtê-la, a saber, por meio da Palavra e pelo andar na luz.
É a luz de Cristo que ilumina o nosso entendimento e espírito para compreendermos as Escrituras.
Elas permanecem como um livro fechado para nós até que Cristo abra o
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nosso entendimento e se revele ao nosso espírito para que possamos compreendê-las; tal como fizera com os dois discípulos no caminho de Emaús, aos quais lhes abriu o entendimento para compreenderem tudo o que estava escrito acerca dEle nas Escrituras.
Não foi João quem conceituou Jesus como luz, pois Ele próprio fizera tal afirmação acerca de Si mesmo durante o Seu ministério terreno, confirmando aquilo que as Escrituras do Velho Testamento afirmam sobre Ele, especialmente de que Ele seria luz para os gentios.
“o povo que estava sentado em trevas viu uma grande luz; sim, aos que estavam sentados na região da sombra da morte, a estes a luz raiou.” (Mt 4.16).
“E o julgamento é este: A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más.” (Jo 3.19).
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“Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida.” (Jo 8.12).
Veja que foi Jesus quem disse que é a luz que dá vida aos homens, de maneira que aquele que não está na luz e que não é luz por ter recebido tal luz de Jesus, continua morto em seus pecados. A vida eterna consiste portanto na manifestação desta luz no nosso viver.
“pois em ti está o manancial da vida; na tua luz vemos a luz.” (Sl 36.9).
Jesus é a luz que nos tira das trevas da ignorância para a luz do conhecimento pessoal de Deus, e é neste conhecimento de Deus e do Filho de Deus que consiste a vida eterna, conforme afirmação do próprio Senhor Jesus Cristo.
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Nenhuma Palavra de Cristo Jamais Falhará
"Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão." (Mateus 24.35)
Jesus Cristo aqui afirma que suas palavras são mais estáveis e duradouras do que o céu ou a terra; que quando o céu e a tiverem passado, Sua Palavra não passará.
Se estas palavras têm provado ser verdadeiras há tantos séculos, então Jesus é divino, como Ele afirmava. O próprio céu e a terra são obra de Deus, e se as palavras de Cristo são mais estáveis do que eles, então, ele é divino.
As palavras de Jesus têm resistido ao teste de amarga oposição por mais de vinte séculos. Elas têm sido odiadas desde que foram faladas; mas todo esse ódio tem sido ineficaz para apagá-las. Elas foram preservadas mesmo com o sangue dos mártires sendo derramado.
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As palavras do Senhor nunca se tornaram obsoletas, em nenhum lugar e em nenhuma época. Quantas teorias filosóficas, psicológicas, científicas caíram em desuso ou se tornaram anacrônicas, todavia as palavras do Senhor crescem em importância à medida que o tempo passa.
Não há uma única falha nas palavras de Jesus e elas são fidedignas totalmente em cumprirem nas vidas daqueles que têm fé nele e praticam estas palavras, em realizar neles tudo o que por elas se afirma.
Há profundidades inesgotáveis de sabedoria e de poder nas palavras de Jesus comprovando que são infinitas e eternas, e portanto de proveniência espiritual e divina. O que é espiritual permanecerá, mas tudo o que é natural, como o universo e a terra, haverá de passar um dia, conforme o decreto eterno de Deus, como pena prevista para a morte de tudo o que foi criado, em razão do pecado. Novo céu e nova terra serão recriados, mas não haverão outras
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palavras que substituam as que foram proferidas por Jesus e que estão registradas na Bíblia.
Assim, quem rejeita as palavras de Jesus também o rejeita.
Quem se envergonha destas palavras e não as proclama de cima dos eirados, também dele se envergonhará o Senhor em sua segunda vinda (Marcos 8.38; Mateus 10.32,33).
E quem não tem estas palavras habitando em seu coração há de perecer eternamente, porque é somente nelas que há a semente da vida eterna.
Não são apenas palavras, mas espírito e vida, conforme afirma o próprio Cristo (João 6.63).
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Como e Com Que o Jovem Purifica o Seu Caminho
“Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra” (Salmo 119.9)
Na primeira parte do texto o salmista falou que a palavra de Deus aponta o único e verdadeiro caminho para a felicidade. Agora, a principal coisa que a palavra opera é a santidade. Este é o caminho que devemos tomar, se pretendemos chegar ao fim da nossa jornada. Isto Davi aplicou ao jovem no texto, "Com que purificará o jovem," etc.
Nas palavras há:
Uma pergunta,
Uma resposta dada.
Na pergunta há uma pessoa em foco - um jovem. Qual é o seu trabalho, com o qual ele deve limpar o seu caminho? Nesta pergunta, há várias coisas supostas.
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1. Que somos desde o nascimento poluídos pelo pecado, pois temos que ser purificados. Não é, “dirigir o seu caminho”, mas “limpar o seu caminho".
2. Que devemos ser sensatos muito cedo e no tempo apropriado, desse mal, pois a pergunta é proposta em relação ao jovem.
3. Que devemos sinceramente buscar um remédio para secar este fluxo do pecado que corre em nós. Tudo isso pode ser suposto.
O que se deve indagar depois é: qual remédio é contra isso? Que curso deve ser seguido? De modo que a soma da questão é esta: como o homem que é impuro, e naturalmente contaminado com o pecado, será feito capaz, tão logo que ele chegue ao uso da razão, para purgar a corrupção natural e viver uma vida santa e pura para Deus? A resposta é: "Observando-o segundo a tua palavra." Quando duas coisas devem ser observadas:
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(1) O remédio,
(2) A maneira como ele é aplicado e usado.
1. O remédio é a palavra - por meio do endereçamento de Deus, chamado a tua palavra, porque se Deus não tivesse dado direção sobre isso, estaríamos totalmente perdidos.
2. A maneira como ela é aplicada e usada, observando-o, etc, estudando e procurando um acordo sagrado com a vontade de Deus.
[1] Começo com a pergunta; porque, o modo negligente como o mundo aborda o assunto, parece muito impertinente e ridículo. Eles dizem: O que tem a juventude e a infância a ver com um trabalho tão sério? Quando a velhice tiver nevado sobre as suas cabeças, e a experiência inteligente de mais anos no mundo tiver lhes amadurecido para tão severa disciplina, então é a hora de pensar em limpar o seu caminho, ou de entrar num curso de arrependimento e
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submissão a Deus. Para o presente – o jovem deve ser um pouco indulgente, pois eles crescerão mais sábios à medida em que crescerem mais em anos. Oh! Não; Deus demanda a sua justiça, logo que sejamos capazes de compreendê-lo. E isto concerne a cada um, tão logo chegue ao uso da razão, e tenha em mente o seu dever, tanto no que diz respeito a Deus e a si mesmo.
(1) No que diz respeito a Deus - que não pode ser mantido fora da sua justiça por muito tempo: Ec 12.1, “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade.” Ele é o nosso criador, não temos nada, mas o que ele nos deu, e que é para seu próprio uso e serviço. E, portanto, o vaso deve ser limpo tanto quanto possa ser, para que esteja "apto para o uso do Senhor.” Isto é um tipo de restituição espiritual para as negligências da infância e o esquecimento da infância, quando não tínhamos capacidade de conhecer o nosso criador, muito menos para servi-lo. E, portanto, tão logo cheguemos ao uso da razão, devemos restaurar a sua justiça, com proveito.
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(2) No que diz respeito a si mesmo. O primeiro preparo do vaso é muito considerável: Prov 22.6, "Ensina a criança no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele." Quando se é bem preparado na juventude, a palavra será absorvida por eles, antes que o pecado e as concupiscências mundanas tenham obtido um enraizamento mais profundo. Se a observação de Salomão é verdadeira, a infância e a juventude de um homem são um notável presságio do que ele evidenciará mais tarde: Prov 20.11, “Até uma criança é conhecida pelas suas ações, se a sua obra é pura e reta." Muito pode ser conhecido por nossas inclinações juvenis. Mas, infelizmente! isto não encerra por completo o caso. O vaso já está preparado, mas "com que o jovem purificará o seu caminho?” o que pressupõe uma contaminação. Na criança é como um vaso recém saído da loja do oleiro, indiferente a boas ou más infusões. O vaso já está contaminado, e tem a natureza do velho homem e as corrupções da carne: Sl 51.5, “Eis que eu nasci em iniquidade, e em pecado me
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concebeu minha mãe." Chegamos poluídos no mundo, o nosso trabalho é parar o crescimento do pecado. Como a criança chafurdava na sua imundície, assim chafurdamos também espiritualmente em nosso sangue: Ez 16.4,5, “Quanto ao teu nascimento, no dia em que nasceste, não te foi cortado o umbigo, nem foste lavada com água para te limpar, nem esfregada com sal, nem envolta em faixas. Não se apiedou de ti olho algum, para te fazer alguma destas coisas, compadecido de ti; antes, foste lançada em pleno campo, no dia em que nasceste, porque tiveram nojo de ti.”
Portanto, a questão é muito pertinente, "Com que o jovem purificará,” etc
Mas por que somente o jovem é especificado?
Eu respondo - Todos os homens estão envolvidos neste trabalho. Velhos não são deixados a si mesmos, nem totalmente entregues à desesperança; mas os jovens precisam mais disto, sendo inclinados a libertinagens e a
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prazeres carnais, e mais aptos a serem conduzidos para além da maneira correta pelas concupiscências da carne e, sendo teimosos em suas paixões e vontade própria, precisam ter seus fervores abatidos pelas doutrinas do arrependimento e conversão a Deus. E, por isso, embora outros não sejam excluídos, o jovem é expressamente referido: potros indomáveis necessitam de freios mais fortes. A palavra é de uso para todos, mas especialmente para os jovens, para refreá-los e reduzi-los à razão.
[2] A resposta - "Observando-o segundo a tua palavra." A palavra, como um remédio contra a impureza natural é considerada de duas maneiras, como uma regra, e como um instrumento.
(1) Como a única regra daquela santidade que Deus aceitará. Todas as outras formas são apenas atalhos.
Nada é a santidade na conta de Deus, a não ser a que está de acordo com a palavra. A palavra mostra o único
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caminho de reconciliação com Deus, ou para ser purificado da culpa do pecado, e a única maneira de santificação sólida e verdadeira e submissão a Deus, que é a nossa purificação da imundícia do pecado.
Não há paz verdadeira sem a palavra, nem há verdadeira santidade. O primeiro é assinalado em Jer 6.16 "Assim diz o SENHOR: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele e achareis descanso para as vossas almas." O segundo está indicado em João 17.17, "Santifica-os na tua verdade, a tua palavra é a verdade."
(1) Ela é a única regra para nos ensinar como obter a verdadeira paz de consciência. O mundo inteiro está se tornando desagradável a Deus, e mantido sob o temor da justiça divina. Esta escravidão é natural, e a grande pergunta é como a sua ira será aplacada: Miqueias 6.6,7, “Com que me apresentarei diante do Senhor, e me prostrarei perante o Deus excelso? Virei perante ele com
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holocaustos, com bezerros de um ano? Será que o Senhor ficará satisfeito com milhares de carneiros, ou com dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu corpo pelo pecado da minha alma?" Agora, aqui não é citada a satisfação oferecida, nem o remédio para as feridas da consciência, nem o modo de remover a controvérsia entre nós e Deus; mas é pela propiciação do evangelho que é pregado, que tudo isso é efetuado.
Oh! então, o jovem para limpar sua consciência e acalmar o seu próprio espírito, tem necessidade de se apegar à palavra.
(2) A palavra é considerada com um instrumento que Deus faz uso para purificar o coração do homem. Não será errado nos estendermos pouco para mostrar a instrumentalidade da palavra para este propósito abençoado. É o espelho que revela o pecado, e a água que lava e o remove. A palavra é tanto o espelho quanto a água.
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(1) É o espelho onde vemos a nossa corrupção. O primeiro passo para a cura é o conhecimento da doença, isto é um espelho onde aparecerá a nossa cara natural: Tg 1.23, “Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante a um homem que contempla seu rosto natural em um espelho," etc. Na palavra vemos a imagem de Deus e a nossa própria. É a cópia da santidade de Deus, e a representação de nossos rostos naturais, Rom 7.9. Que bons conceitos temos da nossa própria beleza espiritual! mas não podemos ver as manchas leprosas que estão sobre nós.
(2) Isto nos coloca num trabalho para vê-las removidas; isto é a água para lavá-las. A palavra de ordem forceja o dever, que é indispensavelmente requerido. O que é comandado em nossos ouvidos, senão "Lave-se, torne-se limpo."? Isto é indispensavelmente necessário: 1 João 3.3: "E todo aquele que nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro”, e Heb 12.14, "Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor." Algumas coisas
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Deus pode dispensar, mas isso nunca é dispensado. Muitas coisas são ornamentais que não são absolutamente necessárias, como a riqueza: "Sabedoria com uma herança é bom,". Muitos têm ido para o céu, que nunca têm aprendido, mas nunca sem qualquer santidade.
(3) A palavra da promessa encoraja isto: 2 Coríntios 7.1, "Amados, tendo pois, tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus”, e 2 Pedro 1.4, "Pelas quais nos têm sido doadas suas mui grandes e preciosas promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção que há no mundo pela concupiscência que nele há.”
Deus poderia ter exigido isto nas bases da sua soberania, mas Deus não nos governaria com mão de ferro, mas lida com criaturas racionais de forma racional, por promessas e ameaças. Por um lado, ele nos falou de um poço sem fundo; por outro lado, das bem-
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aventuradas e gloriosas promessas, coisas "que o olho não viu, e o ouvido não ouviu falar, nem penetrou no coração do homem para conceber." Portanto, a palavra tem uma instrumentalidade notável dessa forma.
(3.) A doutrina da escritura tem o remédio e o meio de limpeza – o sangue Cristo, que não é apenas um argumento ou motivo para nos mover a isto. Portanto, é instado em 1 Pedro 1.8, “quem, não havendo visto, amais; no qual, sem agora ver, mas crendo, exultais com alegria indizível”, etc. Isto impele à santidade sobre este argumento. Por quê? Tem sido um grande custo para Deus realizá-lo, por isso não devemos nos contentar com alguma moralidade superficial. Mais uma vez, a palavra propõe como uma compra, na qual a graça é adquirido por nós, por isso se diz, em 1 João 1.7, ele tem derramado o seu Espírito para nos abençoar e nos resgatar de nossos pecados. E isso excita a fé para aplicar este remédio, e assim experimentar o poder de Deus na alma:
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Atos 15.9, “purificando os seus corações pela fé."
2. A maneira como a palavra é aplicada e feito uso dela: “Se ele tomar cuidado para isso, segundo a tua palavra." Isto implica um estudo da palavra, e a tendência e importância disto, o que é necessário, se o jovem deve ser beneficiado por isto. Davi aplicou os estatutos de Deus aos homens do seu conselho. Os jovens que são encontrados com outros livros, se eles negligenciam a palavra de Deus, o livro que deve fazer a cura do seu coração e mente, eles são, com todo o seu conhecimento, miseráveis: Sl 1.2, “o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.” Se os homens quiserem crescer sábios para a salvação, e obter qualquer habilidade na prática da piedade, eles devem estar muito ocupados com este livro abençoado por Deus, que nos é dado para nos dirigir: 1 João 2.14, "Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e já vencestes o maligno." Não será uma ligeira familiaridade com a palavra que fará um
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jovem ser bem sucedido em derrotar as tentações de Satanás, e será muito difícil vencer a sua própria concupiscência; não será por um pouco de irradiação nocional, mas por ter a palavra habitando em você, e permanecendo em você abundantemente. O caminho para destruir as ervas daninhas é plantar boas ervas que lhes sejam antagônicas. Nós sugamos princípios carnais como sendo nosso leite e, portanto, é dito que "falam mentiras desde o ventre." Isto é um tipo de mistério; antes de sermos capazes de falar, falamos mentiras, ou seja, somos propensos a erros e toda sorte de fantasias carnais pelo temperamento natural e estrutura dos nossos corações, Isa 58.2, e, portanto, desde a nossa mais tenra idade, devemos estar familiarizados com a palavra de Deus: 2 Tim 3.15: "E que desde a infância sabes as Sagradas Escrituras." Mesmo que não se ganhe nada, quando crianças, através da leitura da palavra, senão um pouco de conhecimento memorizado, mas ainda é bom plantar na lavoura da memória, com o tempo a memorização penetrará
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na razão e na consciência, e daí para o coração e os afetos.
3. Isto implica um cuidado e vigilância sobre nossos corações e comportamento, para que a nossa vontade e as ações sejam conformadas à palavra. Esta deve ser a oração diária do jovem e cuidado, que haja um acordo entre sua vontade e a palavra, que ele possa ser uma Bíblia caminhante, uma carta viva de Cristo, uma cópia da palavra em sua vida, para que as verdades possam fluir claramente em sua conversação.
Tudo o que eu tenho dito pode ser dividido em três pontos:
1. Que o grande dever da juventude, é inquirir e estudar como eles podem limpar seus corações e seus caminhos para o pecado.
2. Que a palavra de Deus é a única regra suficiente e eficaz para realizar este trabalho.
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3. Se queremos ter essa eficácia, é requerido muito cuidado e vigilância, para que cheguemos à direção da palavra em cada til, não uma reflexão solta e desatenta com a palavra, desconsideração negligente, mas tendo cuidado para isso.
Agora, por que na juventude, e assim que chegamos ao uso da razão, devemos mentalizar o trabalho de limpeza do nosso caminho?
1. Pense em como isso é razoável. Está claro que Deus deve ter o nosso primeiro e nosso melhor. Está claro que ele deve ter o nosso primeiro, porque ele nos viu antes mesmo de nascermos. Seu amor por nós é eterno; e deveríamos deixar Deus do lado de fora de nossas vidas até a velhice? vamos empurrá-lo para um canto? Certamente Deus, que nos amou tão cedo, isto é motivo para que ele tenha o nosso primeiro, e também o nosso melhor, pois todos nós somos dele. Sob a lei das primícias que eram de Deus, ele nos ensina que o primeiro e o melhor são a Sua porção. Todos os sacrifícios que
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foram oferecidos a ele, estavam em sua força e juventude – eram novilhos, sem doença ou defeito, e o mesmo princípio se aplicava a todas as demais ofertas: Lev 2.14: "Se trouxeres ao SENHOR oferta de manjares das primícias, farás a oferta de manjares das tuas primícias de espigas verdes, tostadas ao fogo, isto é, os grãos esmagados de espigas verdes.” Deus não iria ficar esperando por muito tempo até que amadurecessem. Deus não será mantido por muito tempo sem a Sua porção. A juventude é o nosso melhor momento. Mal 1.13, quando eles trouxeram uma oferta fraca e doente, “Devo aceitar isso de tua mão? diz o Senhor." A saúde, força, rapidez de espírito e vigor estão na juventude. Será a nossa saúde, e força para o uso do diabo, e vamos nos apresentar a Deus com a escória do tempo? Satanás deve se banquetear com a flor de nossa juventude, e Deus tem somente os restos e fragmentos da mesa do diabo? Quando a inteligência está entorpecida, os ouvidos, o corpo fraco, e os afetos gastos, isso é um presente adequado para Deus?
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2. Considere a necessidade disto.
(1) Por causa do calor da juventude, as paixões e concupiscências são muito fortes: 2 Tim 2.22, “Fuja também das paixões da mocidade". Os homens estão mais inclinados nesta idade de orgulho e vaidade, a paixões fortes, desordenada e excessivo amor à libertinagem: 1 Tim 3.6 “não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo.” Um homem pode domesticar criaturas selvagens, os leões e tigres, e a fúria da juventude precisa ser temperada e freada pela palavra. Há muita glória para a graça de Cristo que o calor e a violência sejam quebrados quando a pessoa é muito menos disposta e preparada.
(2) Porque ninguém é tentado tanto quanto eles. As crianças não podem ser de serventia ao diabo, e os velhos estão senis e têm escolhido e definido os seus caminhos, mas os jovens, que têm uma fraqueza de entendimento, e os espíritos mais intrépidos e mais agitação, o diabo ama fazer uso deles: 1 João 2.13 : 'Eu vos
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escrevi, jovens, porque tendes vencido o maligno." Eles são mais agredidos, mas é para a honra da graça quando saem vencedores, quando é empregado o seu fervor e força, não para satisfazer concupiscências, mas no serviço de Deus e luta contra Satanás. Portanto, é muito necessário que sejam temperados com a palavra desde cedo.
3. Considere os muitos inconvenientes que se seguirão, se atualmente não se importarem com este trabalho.
(1) A morte é incerta, e, portanto, um negócio tão importante como este não admite atraso. Deus nem sempre dará o aviso. Nadabe e Abiú, dois jovens irreverentes, foram levados em seus pecados, e os ursos da floresta devoraram as crianças que zombaram do profeta Eliseu. O perigo é tão grande, que assim que estejamos conscientes disto, devemos fugir dele. Quando as crianças chegam à plenitude da razão, elas ficam em sua própria conta; antes, elas estavam sob a conta de seus pais. Oh, ai de você se você morrer em seus pecados!
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Certamente, assim que um homem está sobre a sua própria conta pessoal, ele deveria olhar por si mesmo, para que Deus o quebre, para que ele faça a sua paz com ele.
Aplicação 1. É para se lamentar que tão poucos jovens trilhem nos caminhos de Deus. É uma coisa rara encontrar um José, ou um Samuel, ou um Josias, que buscam a Deus desde cedo. Vá às universidades, e você vai descobrir que aqueles que deveriam ser tão nazireus consagrados a Deus, vivem como aqueles que se consagraram a Satanás: Amós 2.11, “Dentre os vossos filhos, suscitei profetas e, dentre os vossos jovens, nazireus.” Os filhos dos profetas em sua juventude criados para uma disciplina mais rigorosa na sua santa vocação, separados de prazeres mundanos, para serem um estoque de um ministério bem sucedido. Mas, infelizmente eles gastaram seu tempo na vaidade, nada trazendo senão apenas os pecados do lugar, e seguiram os costumes pecaminosa do seu país. Quão poucos consideram a educação de sua juventude
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em conhecimento ou prática religiosa! Famílias são sociedades para serem santificadas por Deus, bem como igrejas. Os seus governantes têm verdadeiramente um encargo para com as almas assim como os pastores em relação às igrejas. Eles oferecem seus filhos a Deus no batismo, mas educam-nos para o mundo e para a carne. Eles lamentam qualquer defeito físico neles, mas não a falta da graça.
Aplicação 2. Uma exortação para os jovens. Você que está começando a sua jornada, comece com Deus, você não tem experiência, mas você tem uma regra; você tem concupiscências poderosas, mas um espírito forte. Nenhuma faixa etária está excluída da promessa do Espírito: Joel 2.28,29, “E será que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões, e também sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias."
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De João Batista é dito em Lucas 1.15: "Ele será cheio do Espírito Santo já desde o ventre de sua mãe”, e lemos em Marcos 10.14 “Deixai vir a mim os pequeninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus." Há poder para iluminá-lo, apesar de todos os seus preconceitos, para subjugar suas paixões, apesar do poder da nossa natureza corrompida pelo pecado: 1 João 2.13,14: "Eu vos escrevi, jovens, porque tendes vencido o maligno. Eu vos escrevo, filhinhos, porque conheceis o Pai.", etc, e veja Gên 39.9. Será um grande conforto para você, quando você morrer, que seu grande trabalho foi concluído. Oh, que coisa triste é que, quando o corpo vai para a sepultura, e a alma não tem ainda aprendido a conversar com Deus! Oseias 8.12, “Embora eu lhe escreva a minha lei em dez mil preceitos, estes seriam tidos como coisa estranha.”. Deus tem escrito uma carta para nós, e nós não iremos lê-la, nem meditá-la? Seremos então estranhos inteiramente a ela. Mas agora, quando conhecerem a Deus, não será tão cansativo ir ter com ele.
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Tradução e adaptação de citações extraídas do sermão de Thomas Manton, baseadas no Salmo 119.9, elaboradas pelo Pr Silvio Dutra.
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A Palavra de Deus é Viva e Eficaz
“A palavra de Deus é viva e eficaz.” (Hebreus 4.12)
Tudo o que ele diz aqui com relação à eficácia da Palavra é com o propósito de que soubessem que não poderiam desmerecê-la impunemente. É como se dissesse: Sempre que o Senhor se nos acerca com sua Palavra, ele está tratando conosco da forma mais séria, com o fim de mover todos os nossos sentidos mais profundos. Portanto, não há parte de nossa alma que não receba sua influência. Entretanto, antes de darmos um passo adiante, carece que consideremos se o apóstolo está falando da Palavra em termos gerais, ou se ele está fazendo, aqui, uma referência particular àqueles que creem. E geralmente aceito que a Palavra de Deus não é igualmente eficaz em todos. Ela aplica seu poder nos eleitos, com o fim de humilhá-los através de um genuíno reconhecimento do que na verdade são, para que fujam e se escondam na graça de Cristo. Isso jamais aconteceria, se a
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Palavra não penetrasse as profundezas do coração. A hipocrisia, que se acha presente nos admiráveis e infinitamente tortuosos recantos dos corações humanos, deve ser erradicada. Devemos estar não só humildemente dispostos a espicaçar-nos e a afligir-nos, mas também a ser profundamente feridos, para que, prostrados pelo senso da morte eterna, aprendamos a morrer para nós mesmos. Jamais seremos renovados em toda a nossa mente (como Paulo requer em Efésios 4.23) até que nosso velho homem haja sido morto pelo gume dessa espada do Espírito. Eis a razão por que Paulo diz em outro lugar [Fp 2.17] que aqueles que creem são oferecidos em sacrifício a Deus, visto que não podem ser trazidos à obediência a Deus senão pela morte de seus próprios desejos, bem como não podem ver a luz da sabedoria divina senão pela destruição de sua sabedoria carnal. Tudo isso não pode aplicar-se no caso dos incrédulos. Ou displicentemente desconsideram a Deus quando lhes fala, e dessa forma motejam dele, ou bradam contra sua doutrina e se levantam insidiosamente contra ela.
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Sendo a Palavra de Deus semelhante a um martelo, o coração deles é semelhante a uma bigorna, de modo que sua dureza repele os golpes por mais fortes que sejam. Eles se acham muito longe para que a Palavra de Deus penetre neles, até ao ponto de dividir alma e espírito. Desse modo parece que essa cláusula deve restringir-se somente àqueles que creem, visto que unicamente eles podem ser examinados no mais profundo de seu ser.
Em contrapartida, o contexto do apóstolo revela que este é um princípio geral que se aplica também aos incrédulos. Embora se oponham à Palavra de Deus com um coração de ferro ou de aço, não obstante devem necessariamente ser refreados por seu próprio sentimento de culpa. Riem, é verdade, mas é um riso sardônico, porque sentem como se estivessem sendo sufocados interiormente, e forjam toda espécie de evasivas com o intuito de evitar a aproximação do tribunal de Deus. Por mais indispostos que eles sejam, são arrastados para a presença dessa mesma
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Palavra que tão veementemente ridicularizam, para que sejam comparados apropriadamente com cães furiosos, que mordem e esganam a corrente a que se acham presos, embora sem qualquer efeito, porque ainda permanecem firmemente acorrentados. Além disso, embora o efeito dessa Palavra talvez não se revele imediatamente, no mesmo dia, contudo o resultado será inevitável, e aquele que a prega descobrirá que a ninguém a pregou em vão. Cristo certamente falou em termos de aplicação geral quando afirmou: "Quando ele vier convencerá o mundo..." [Jo 16.8]. O Espírito exerce esse juízo através da pregação do evangelho.
Finalmente, ainda quando a Palavra de Deus nem sempre manifeste esse poder nos homens, todavia ela, em alguma medida, o possui em si mesma. O apóstolo está discutindo, aqui, acerca da natureza e da função própria da Palavra para o propósito único, a fim de que saibamos que assim que ela soa em nossos ouvidos, nossas consciências são citadas acusativamente diante do
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tribunal de Deus. É como se dissesse: Se porventura alguém presume que a Palavra de Deus ecoa no vazio, ao ser proclamada, esse tal está fazendo uma grande confusão. Essa Palavra é algo vivo e cheio de poder secreto, a qual não deixa nada no homem que não seja tocado. A suma de tudo isso é que tão logo Deus abra seus santos lábios, todos os nossos sentidos também devem abrir-se para receber sua Palavra, porque não faz parte de sua vontade permitir que suas palavras sejam semeadas em vão, nem tampouco feneçam ou desapareçam no solo da vida, senão que desafiem eficazmente as consciências humanas, até que as tragam jungidas ao seu domínio. Ele, pois, dotou sua Palavra com tal poder, para que a mesma perscrute cada área de nossa alma, para revelar os escrutínios dos pensamentos, para decidir entre as afeições e para manifestar-se como juiz.
Aqui surge uma nova questão, se essa Palavra deve ser considerada como sendo a lei ou o evangelho. Os que entendem que o apóstolo está falando da
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lei, evocam estes testemunhos paulinos: que é um ministério de morte; que é a letra que mata [2 Co 3.6-7]; que não opera outra coisa senão ira [Rm 4.15], e outros da mesma natureza. Mas aqui o apóstolo realça seus efeitos divergentes. E, por assim dizer, um gênero de matança que faz viva a alma, e que se dá através do evangelho. Devemos entender, pois, que quando o apóstolo diz que ela é viva e eficaz, ele está a referir-se à doutrina geral de Deus. Paulo dá testemunho de tal efeito [2 Co 2.16], dizendo que de sua pregação exala um odor de morte para a morte daqueles que não creem, bem como de vida para a vida dos fiéis, de modo que jamais fala em vão, sem que conduza alguns à salvação, compelindo outros à destruição. Esse é o poder de atar e desatar que o Senhor conferiu a seus apóstolos [Mt 18.18]. Esse é o poder do Espírito no qual Paulo se gloria [2 Co 10.4]. Aliás, ele jamais nos promete salvação em Cristo sem, em contrapartida, pronunciar vingança sobre os incrédulos que, ao rejeitarem a Cristo, trazem morte sobre si próprios.
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Além do mais, é mister que observemos que o apóstolo, aqui, está a discutir a Palavra de Deus que nos é comunicada pelo ministério dos homens. São dementes e mesmo danosas todas as noções de que, não obstante a Palavra interna ser certamente eficaz, aquela que emana dos lábios humanos é morta e carente de qualquer efeito. Admito que a eficácia certamente não flui da língua humana, nem consiste em seu próprio som, senão que deve ser atribuída totalmente ao Espírito Santo; no entanto não impede o Espírito de manifestar seu poder na Palavra que é proclamada. Porque Deus mesmo não fala senão através dos homens; ele toma grande cuidado para que sua doutrina não seja recebida com descaso por seus ministros serem homens. E assim, quando Paulo diz que o evangelho é o poder de Deus [Rm 1.16], deliberadamente distinguiu sua própria pregação com tal honra, a qual o apóstolo percebeu ser aprovada por alguns e rejeitada por outros. Ao ensinar-nos em outro lugar [Rm 10.8-10] que a salvação nos é conferida pelo ensinamento proveniente da fé, ele
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expressamente diz que essa é a doutrina que é anunciada. Vemos que Deus sempre recomenda publicamente a doutrina que nos é ministrada pelo esforço humano, com o propósito de induzir-nos a recebê-la com reverência.
Ao dizer que a Palavra é viva, é preciso entender tal expressão "em ralação aos homens". Isso se faz ainda mais evidente à luz do segundo adjetivo. Ele mostra que espécie de vida ela possui ao prosseguir chamando-a eficaz. O objetivo do apóstolo era ensinar-nos o gênero de utilidade que a Palavra tem para nós. A Escritura faz uso da metáfora da espada em outras passagens, o apóstolo, porém, não se contenta com uma simples comparação. Ele diz que a Palavra de Deus é mais cortante que qualquer espada; aliás, uma espada de dois gumes, porque em sua época era frequente o caso de espadas que só cortavam de um lado, e do outro não.
Penetra até... etc. O substantivo alma amiúde significa o mesmo que espírito, mas quando são ambos associados, a
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primeira inclui todas as afeições, enquanto que o último indica a faculdade a que chamam intelectual. Assim também em 1 Tessalonicenses 5.23, quando Paulo ora a Deus para que guardasse o espírito, a alma e o corpo deles incorruptíveis até à vinda de Cristo, ele quer dizer simplesmente que permanecessem puros e santos em sua mente e vontade e ações exteriores. Semelhantemente, quando Isaías diz [26.9]; "Com minha alma suspiro de noite por ti, e com o meu espírito dentro em mim", certamente que sua intenção era que seu esforço em buscar a Deus era tão profundo, que aplicava sua mente tanto quanto seu coração a tal intento. Estou consciente de que há aqueles que apresentam uma interpretação diferenciada. Mas espero que toda pessoa sensível esteja disposta a concordar comigo.
Voltemos à passagem que ora estamos a considerar. A Palavra de Deus penetra ao ponto de dividir alma e espírito. Significa que ela testa toda a alma de uma pessoa. Ela explora seus pensamentos e sonda
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sua vontade e todos os seus desejos. O mesmo significado se acha implícito na frase juntas e medulas. Significa que não há nada tão difícil ou sólido numa pessoa, nada tão profundamente oculto que a eficácia da Palavra não penetre até lá. Isso é o que Paulo diz em 1 Coríntios 14.24, ou seja: que a profecia tem o poder de convencer e julgar os homens, a fim de que os segredos do coração se manifestem. Visto que a função de Cristo é descobrir e trazer a lume os pensamentos que fluem dos recessos mais profundos do coração, em grande medida ele o faz através do evangelho.
A Palavra de Deus, portanto, é Kpitikóç (=discernidora), porque traz à mente humana a luz do conhecimento, como se a tirasse de um labirinto onde jazia outrora enredada. Não há trevas mais densas do que a incredulidade, e a hipocrisia nos cega de uma forma terrificante. A Palavra de Deus dissipa tais trevas e faz a hipocrisia bater em retirada. É daqui que emana o discernimento e o juízo que o apóstolo menciona, visto que os vícios que se
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ocultam sob a falsa fachada de virtudes começam agora a descortinar-se e sua aparência se desvanece. Ainda quando os réprobos fiquem por algum tempo ocultos em seus covis, descobrirão que até mesmo ali a luz da Palavra finalmente penetrou, de modo que não podem escapar do juízo divino. Daqui se ergue seu lamento e deveras seu furor, porquanto se não forem estremecidos pela Palavra, jamais perceberiam sua loucura. Tentam escapar ou evadir-se e evitar seu poder, ou ainda procedem como se não a tenham notado. Mas Deus não permite que logrem sucesso. Portanto, enquanto caluniam ou injuriam a Palavra de Deus, admitem, embora a contra gosto ou relutantemente, que sentem seu poder em seu íntimo.
Por João Calvino (Traduzido e adaptado por Silvio Dutra)
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Estas Palavras que Hoje te Ordeno "Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.." (Deuteronômio 6:6-9) É bom quando a Palavra de Deus governa a minha vida pessoal. Ela deve controlar o meu corpo com seus membros e paixões. Ela deve resolver as questões intrigantes do meu intelecto. Ela Deve responder à acusação, e acalmar os temores da minha consciência. Ela deve encher minha imaginação com imagens puras e inspiradoras. Ela deve fazer da minha vontade um feliz servo de Cristo.
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Ela deve satisfazer os desejos do meu coração pelo amor perfeito e eterno. E é bom quando a Palavra de Deus governa a minha casa. Quando eu a ensino aos meus filhos, quando falo dela sentado em casa e andando pelo caminho, deitado e levantando-me - eu estou lhes dando. . . o tema mais sublime para a meditação, a melhor regra de conduta, a salvaguarda mais forte contra o mal, o passaporte para a família do Senhor e para a cidade do Rei eterno. Eu estou lhes prestando o mais nobre serviço concebível! E é bom quando a Palavra de Deus governa minha vida social. Que seja escrita sobre as vergas da minha casa e nos seus portais. Então, meus vizinhos saberão onde estou, e a quem eu sirvo. Eles não virão a mim para falar fofocas e
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escândalos, e sussurrar o bom nome dos outros em línguas ociosas. Eles não vão me desejar para ser um parceiro com eles em qualquer trabalho mau. Em vez disso, eles serão atraídos para a Bíblia e para o Senhor. Na minha história pessoal, nas relações de minha casa, na minha comunhão social – que Deus governe através de Sua Palavra, com um cetro indiscutível e uma autoridade graciosa! Texto de Alexander Smellie, traduzido por Silvio Dutra.
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Como a Palavra Produz a Fé Luc 16:29 “... Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos.” Na parábola do rico e do mendigo, Jesus usou esta expressão Moisés e os Profetas, que era uma das formas de se referir a todo o conjunto das Escrituras do Antigo Testamento, que foram produzidas por revelação e inspiração de Deus. Não é nosso propósito neste momento comentar toda a parábola, mas destacar um dos seus pontos muito importantes, para que possamos entender o modo designado por Deus para a salvação das nossas almas. O rico, estando no inferno, pensava erroneamente que poderia ter sido salvo por um sinal poderoso que lhe fosse enviado do céu, como o envio do mendigo Lázaro a seus cinco irmãos que ainda viviam na terra, para lhes servir de testemunho, vendo o estado de glória em que ele se encontrava, pois o haviam conhecido muito bem em sua miséria
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quando vivia na terra, e no entender do rico, isto lhes convenceria de que havia de fato um céu. Foi dado como resposta ao seu pedido, simplesmente que seus irmãos deveriam ouvir Moisés e os profetas, ou seja, as Escrituras, para que fossem salvos. Ou seja, eles deveriam dar atenção ao testemunho que as Escrituras dão relativamente à santidade de Deus e de Cristo, como também da ruína completa dos homens em face da sua natureza pecaminosa, mas que Deus, em Sua misericórdia afirma que o justo viverá pela fé, ou seja ele terá vida eterna, pela fé na Palavra do Senhor. Este é o significado interior de se ouvir Moisés e os profetas. É o de nos arrependermos de nossa condição caída e buscar refúgio na graça do Senhor Jesus que nos está sendo oferecida gratuitamente por darmos crédito à Sua Palavra.
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O firme fundamento repousa nisto, a saber, em se honrar a Palavra do Senhor, porque Ele dá muita honra à mesma. Por isso nos deu a revelação da Sua pessoa e vontade nas Escrituras, para que mesmo sem um sinal visível do céu, sem qualquer coisa extraordinária que nos seja enviada por Ele para ser testemunhada pela nossa visão natural, creiamos em tudo o que Ele afirma na Sua Palavra escrita, de modo que demonstramos com isso que damos de fato crédito ao que Ele tem dito. Não foi justamente o oposto disto que aconteceu na queda do jardim do Éden? O homem e a mulher deram crédito à palavra da serpente e desconsideram aquilo que Deus lhes havia falado. Então não seria por nenhum sinal enviado do céu, como o rico da parábola insistiu pedindo que outras pessoas que haviam morrido e ressuscitado, fossem enviadas a seus irmãos para que eles cressem.
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Mas esta foi a resposta que lhe foi dada: “Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.” Não porque fossem duros o bastante para não reconhecer o poder de Deus em ressuscitar, mas porque não foi este o método designado por Deus para a salvação, que é o de ter fé na Sua palavra revelada, de modo que a fé vem pelo ouvir a Palavra. Não será pela visão do arcanjo Miguel, de um Serafim, dos querubins, do próprio Cristo, que alguém será salvo.
A salvação sempre ocorrerá somente quando acolhermos com mansidão e fé a Palavra do Senhor. Hoje, temos mais do que Moisés e os profetas, porque por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, temos também as Escrituras do Novo Testamento. Então temos uma maior e melhor razão para cremos, lendo, amando, acolhendo e praticando a Palavra de Deus. Pela fé em tudo o que nos tem sido revelado por Ele, para que crendo em Sua Palavra, que nos aponta Cristo, como nossa única esperança, sejamos salvos. Ouvir com fé. Esta é a chave que nos conduz para o céu e para a vida do céu. Lembremos sempre desta afirmação solene, que é a fórmula da salvação: “...Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos.”
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Edition Notes

Published in
Rio de Janeiro, Brasil

The Physical Object

Format
Paperback
Pagination
x, 62p.
Number of pages
62
Dimensions
21 x 14,8 x 0,4 centimeters
Weight
102 grams

ID Numbers

Open Library
OL25937520M

Work Description

Religião cristã

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September 2, 2016 Edited by Silvio Dutra Edited without comment.
August 24, 2016 Edited by Silvio Dutra Edited without comment.
August 5, 2016 Edited by Silvio Dutra Edited without comment.
August 5, 2016 Created by Silvio Dutra Added new book.