Ensaio sobre a Verdade e a Mentira

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    Eduardo Lins

Ensaio sobre a Verdade e a Mentira

Published by Google Drive in Teresina, Brazil .
Written in Portuguese.

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Table of Contents

ENSAIO SOBRE A VERDADE E A MENTIRA
LINS, Eduardo
(Eduardo Henrique Lins Cavalcante)
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Escrito entre os dias 8/12/2017 e 16/12/2017.
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Estudante da graduação em Direito na Universidade Estadual do Piauí – UESPI. Pesquisador Jurídico no escritório Nogueira & Nogueira Advogados Associados. Ator no Grupo de Teatro da UESPI. Escritor. Ex-jornalista na TV assembleia Legislativa do Piauí. Membro da academia Piauiense de Poesia – ACAPP.
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Quando nascemos, há uma única certeza incontestável relacionada a este fato de nascimento: Morreremos. Como? Por quem? Por quê? São perguntas, sem o detrimento de outras, relacionadas ao contexto da morte cujas respostas há uma grande probabilidade de desconhecermos, ao menos em parte. Entretanto, o desconhecimento relacionado a questões tais não inviabiliza a certeza da partida: De que o poder ou a força vital, que nos anima, será encaminhada para qualquer outro lugar; e o corpo sem vida, então, se torna a comprovação de um aspecto essencial: O nada.
O nada é um essencial único? Não, ele nos traz a comprovação de um outro absoluto, o seu espelho: A plenitude. Não há aqui um desejo de fundamentar maniqueísmo relacionado a uma suposta luta entre Bem e Mal, mas uma questão de lógica mínima: Para que se possa compreender o nada, é preciso saber que há algo que preencha esse nada e portanto lhe anule o vazio: É preciso que haja algo que torne pleno o nada, e portanto há quando não há o nada: A plenitude.
A chegada a este mundo, através da vida, é advinda da plenitude, quando o parto é bem sucedido e traz uma criança viva: Aqui se funda a beleza da maternidade, que é a percepção e admiração da plenitude, e para que ela ocorra há um processo gestacional em que o organismo da mãe concentra grandes energias vitais a serem transferida para um outro ser. Por isso, a despeito de ter um organismo biologicamente formado, a vida começa com a fecundação do óvulo: Porque a partir deste momento, mesmo que imperceptível inicialmente, há o esforço orgânico em manter a viabilidade da vida deste novo ser que se forma.
E a certeza de que morreremos, incontornável aspecto colateral de nosso nascimento, nos fundamenta como seres factuais e temporais: Temos um tempo de vida, do qual não podemos fugir (embora a antiga alquimia e a não tão nova ciência busquem a imortalidade). A este tempo cumpriremos orientando-nos pelos fatos e pelas experiências, e a estes há o fundamento neste mundo em que vivemos (mundo-vivido), ou em um mundo no qual mergulhamos mas no qual não vivemos (mundo-fictício). Enquanto vivemos, podemos interagir com este mundo-vivido, e transformá-lo a partir de nossas ações, mas nunca podemos esquecer que ele já existia antes de nós, e que continuará a existir após a nossa partida. O mundo-vivido é, por essa análise, ao mesmo tempo: Fundamento e Espaço para a nossa existência.
A superação da morte nos levaria a um caminho para fundarmo-nos enquanto essência. Contudo, enquanto ela nos ronda, a existência deve ser levada em consideração fulcral. A partir desse momento, o aspecto fundamental da essência é servir como referência ou parâmetro (dever-ser e não-dever-ser) para a nossa trajetória. Enquanto seres existentes, esse nosso projeto de existir nos abre um campo de possibilidades (poder-ser e não-poder-ser) no mundo vivido. Este campo tanto é orientado pelos parâmetros como os orienta, em uma circulação de influências que cessa apenas com a chegada ao nada. Na medida em que um projeto está fora de possibilidades, o parâmetro se impõe como mundo-fictício.
Nossa diferença em relação aos outros animais está na capacidade de perceber a nossa limitação entre vida e morte, entre o pleno e o nada, e de decidir o que faremos conosco mesmo e com o ambiente ao redor, levando em conta esse aspecto de limitação: A total ignorância quanto a isso nos retira a humanidade, e a pretensão de superar estes limites é a pretensão de superar a humanidade, tal como uma elevação ao divino: Do qual temos uma noção a partir de nossa percepção dos aspectos essenciais, mas ao qual somente podemos aspirar sem nunca alcançar (tal como o a tendência ao limite na Matemática). Esta é a grandeza ou a tragédia do ser humano, de acordo com a percepção do intérprete: Estamos “acima” dos animais por nossa percepção do que é essencial, mas “abaixo” do que é divino por nossas limitações existenciais.
Isso nos autoriza a usar e abusar da natureza como bem entendermos? Não: É preciso que haja um respeito ao mundo em que vivemos; respeito que acaba por beneficiar a nós mesmos. Não se pode esquecer que o mundo-vivido não só é o espaço para manifestação de nossas possibilidades como fundamento para elas. Repete-se: Ele já existia antes de viermos à vida, e continuará a existir após que o nosso corpo físico seja uma prova documental do nada.
Assim, é preciso que coloquemos quatro noções "enquadradas" nessa limitação existencial:
1. Indivíduo (Reflexão consigo mesmo)
2. Sociedade (Comunicação com o outro)
3. Mundo Vivido (Espaço-Tempo fundante)
4. Vida e Morte (Referências essenciais)
Mantém-se o pressuposto de que a vida é plenitude e que a morte é o nada, mas abre-se um parêntese para observação: A vida aqui falada é diferente de estar vivendo, e a morte é diferente de estar morrendo. Os termos “vida” e “morte” referem-se ao limiar intocável para nós enquanto estivermos em trânsito por este espaço e neste tempo que nos vinculam. Durante este tempo, gastaremos energia, para nos mantermos em prol de um projeto.
A vida é a plenitude, a morte é o nada. A mentira mata porque consome energias vitais, consome a vida, e por isso nos leva à morte, ao nada. A mentira está fundada no nada porque está fora do mundo-vivido: A mentira, e o nada por excelência, fundam-se no mundo-fictício, livre das amarras do mundo-vivido.
Mas a mentira não pode ser vivida sem desgaste, porque deve empenhar muitas energias para levar o nada ao pleno, a ficção ao real: Ela exige que o sujeito se empenhe na construção do mundo-vivido em torno função dessa construção (mentira) sedimentada no nada (mundo-fictício). Por isso, há uma única forma de que a mentira não seja uma destruição desnecessária do sujeito: Ela deve estar orientada na intersubjetividade e guiada com um motivo bom, que dê vida.
Ela não pode ter somente um ou outro: Se for somente "boa", prende o sujeito em um mundo de ilusões. Se for somente na intersubjetividade, destrói a coletividade. E, por outro lado, como ela irá consumir a vida de quem mente e de quem recebe essa mentira como verdade, há uma única forma de que essa mentira seja boa: Se utilizada a sua força destrutiva com uma reorientação para a construção, no sentido do feng shui.
Neste ponto há a possibilidade de termos chegado a uma falácia, porque a partir de então surge no horizonte a possibilidade de a mentira ser justificada como boa para a intersubjetividade. Mas é preciso que se compreenda: A quem e a que propósito servirá a mentira? De onde ela parte e para onde ela chegará: É assim que se descobre se há a possibilidade de ser usada sem que deixe de ajudar à intersubjetividade (e muito menos prejudique!) ou se é fundada em propósitos mesquinhos.
A forma em que a mentira não é uma destruição desnecessária do sujeito (isto é: Fundada em motivos bons e orientada para a intersubjetividade) é o que fundamenta a beleza do Teatro, da Literatura, do Cinema e das artes em geral. Há um motivo: A Arte necessariamente nos leva a um mundo-fictício, e a partir deste mergulho nos contextualizamos em um campo de possibilidades não possível ou improvável em nosso mundo-vivido que nos é atual.
Então, a Arte não deixa de exigir um dispêndio de energia vital, tanto para quem constrói a realidade do mundo-fictício (e, para este, o gasto de energia não raro é descomunal) quanto para quem se propõe à imersão neste mundo-fictício (mesmo que pelo simples deslocamento ou pela simples atenção). Entretanto, considerando o limite da autonomia da vontade, a experiência deste novo contexto (que se possibilita neste momento) irá se conservar na reconstrução do sujeito emerso, portanto interferirá na sua existência.
Por conta desta conservação na reconstrução do sujeito, nem que seja apenas pela memória, este levará a experiência consigo de volta ao mundo-vivido. Desde este momento em diante, considerando a autonomia da vontade, como ele irá lidar com esta experiência é exatamente o que determinará se o trabalho (de construção da mentira, para a imersão neste mundo-fictício) terá uma orientação à intersubjetividade com o sentido para a vida.
Todo este trabalho de reconstrução do ser humano gira em torno da informação: Uma informação verdadeira é vida. Uma informação falsa é morte. Por isso, à exceção da mentira condutora à vida, precisamos procurar a vida em meio à morte, para que possamos nos sustentar: Em um mundo repleto de informação, precisamos saber separar o que é verdadeiro e o que é falso, para que possamos continuar nos orientando pelo mundo-vivido. E somente de forma consciente entrarmos no mundo-fictício porque, nele, podemos receber parâmetros e possibilidades improváveis no mundo-vivido que nos cerca.
Mundo-vivido e mundo-fictício não são necessariamente bons ou ruins. Não lhes cabe valoração, porque os julgamentos de valor partem da ótica subjetiva, e a natureza deles não é subjetiva: Pois são fundamentos. Assim como a Vida e a Morte não são necessariamente bons ou ruins: São nossos limites, porque somos existenciais. Destarte, é fulcral que saibamos lidar com estes fundamentos e com estes referenciais, para que nutramos uma relação verdadeira com a informação e com os diversos aspectos contextuais que nos limitam.
Por isso, guarde-se essa frase: “Nunca esqueça da Morte, mas busque sempre a Vida”.

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February 14, 2018 Edited by Walkanmeieff Edited without comment.
February 14, 2018 Created by Walkanmeieff Added new book.